Ilustração: Julio Saens

"Ana Cristina encarava a modernidade. Talvez por isso tenha morrido cedo - pura passagem
permanente - muitas asas e
 um desdém pelo que poderia ser raiz. O lugar que ocupa é na  linha
do horizonte - virtual e veloz.
  Seu verso, que pertenceu à vertente cultivada da geração que 
apareceu em 70,  é, hoje, pedra de toque para toda poesia que se quer nova; com seus motivos
e matizes estilizadas que se
 deixam acompanhar, ao fundo, por uma brusca e inusitada  melodia
que parece ter sido feita pela mistura de cristais,
 heavy metal e tafetá. A obra é breve, um cinema
essencial, e depressa. Morria de
 sede no meio de tanta seda. Nunca nos esquecemos de sua  
paixão acesa e seca. O que mais queima: a pedra de gelo ou o ferro em brasa ? Vulcão de neve.
Ela não foi - ela fica - como
 
uma fera". Armando Freitas  Filho no livro
" Inéditos e Dispersos - Poesia/Prosa" Editora Brasiliense - 1985      
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