poemas

Gabriela
Marcondes

 

 

 

 

Sandra Moreira

Inutencílios

versos são sutis utensílios
para conjugar o nada
beijos de borboleta.
bateu cílios e voou.


Texturas

Não te preocupes em me decifrar,
sou costurada com a linha da ambigüidade,
vestida de discursos de calar.
Não procure em mim suas verdades
minha bainha não foi feita,
toco em todas as texturas.
Minha cor não foi eleita,
sou camaleão sem cura.
Sou verso de intuição,
pergunta possível,
tentativa de explicação.
Meu verso é repleto de possibilidades,
não possuo seqüência, não possuo métrica.
Sou cúmplice da dualidade,
rima anacrônica perdida na realidade.
Não te preocupes em me decifrar.


Latitude

nos subúrbios de si
descobrir aos poucos
a matemática do medo
a tradição das coisas se quebra
diante das perguntas do presente
move-se cuidadosamente
por entre latitude dos atos


 Papiro

No impenetrável palimpsesto
dorme o verso que procuro.
No revés do que vejo
a idéia que salta através do muro
oferece aos olhos um caleidoscópio.
No dédalo das entrelinhas
o sentido que ilumina o escuro.
Código desta grafia secreta
que perambula pela poesia bêbada
adormecida na inaptidão do poeta.


Sobremesa da eternidade

poetas são abutres
dos próprios desejos
mastigam com binóculos
os próprios medos.


Gabriela Marcondes é carioca, médica com pós-graduação em clínica geral e endocrinologia.Tem poemas publicados em sites literários e pequenas antologias poéticas. Foi selecionada no Concurso Nacional de Poesia Helena Kolody e ganhadora do Concurso Nacional Poesia Voa. Teve videopoético incluído do Festival Cortacurtas no Rumos do Itau Cultural. Desenvolve também um trabalho de música com o qual participou do Cenas da música contemporanea, PLUG - festival de musica eletronica, Casa dos criadores, Luckystrike lab: music entre outros.  VIDEOVERSO, (2006) é seu primeiro
livro, Editora 7 Letras. gabmarcondes00@gmail.com