AS ESTAÇÕES
DA RAZÃO
(Segunda versão)
JORGE LUCIO DE
CAMPOS
a Jonathan Barnes
1. HERÁCLITO
Se algo se move
não sei se existe
se surge de repe-
nte em outro al-
go ou some ai-
nda num terceiro
que não seja
o puro nada
2. ANAXÍMENES
Ar vasto ao
mesmo tempo
tudo traz em
si e arrasta
um clangor m-
aior de nomes
saborosos
como alguém
que nada
sabe sobre
nada
3. TALES
Aqui dentro
espreito o ser
Tudo é água
aquém de mim
Dentro de mim
tudo me olha
Tudo se molha
além de mim
4. ANAXÁGORAS
Cabe ao olho p-
recisar o mapa
e à estrela o que h-
á de mais contido
No breu do éter
um outro éter se
dilata em meio
ao mar um out
ro mar já
esquecido
5. PARMÊNIDES
Para os que firmam e
afirmam a identidade
maior seria, quase
sempre, o ilimitado
Se o vento esculpe
o tenro de uma tarde
e o céu entece um
novo sol cansado
6. ANAXIMANDRO
Assim o Ar, o Fogo
a Terra e a Água
se sabem um só e
ao outro desunido
Perfazem um sopro
que a tudo encerra
um cosmo que no
caos foi resolvido
O AUTOR:
Nascido no Rio de Janeiro em 15 de setembro de 1958, formou-se
em Filosofia, em 1981, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ) onde ainda cursou (de 1982 a 1996) o Mestrado (Estética) em
Filosofia, o Doutorado e um Pós-Doutorado (História dos Sistemas de
Pensamento) em Comunicação e Cultura. É Professor de Teoria e
Crítica da Comunicação e da Cultura, de Estética e de Teoria e
História da Arte Contemporânea na Escola Superior de Desenho
Industrial (ESDI) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
Como ensaísta, publicou, além dos verbetes relativos à arte
brasileira do Dicionário Oxford de Arte, de Ian Chilvers, Harold Osborne
e Dennis Farr (Martins Fontes, 1996), os livros Do Simbólico ao Virtual:
A Representação do Espaço em Panofsky e Francastel (Perspectiva/EdUERJ,
1990) e A Vertigem da Maneira: Pintura e Vanguarda nos Anos 80
(Diadorim/EdUERJ, 1994). Como poeta, publicou as coletâneas Arcangelo
(EdUERJ, 1991), Speculum (EdUERJ, 1993), Belveder (Diadorim/UNESA,
1994), A Dor da Linguagem (Sette Letras, 1996), À Maneira Negra (Sette
Letras, 1997) e tem, inéditas, Lição de Alvura (1998), Ausência de Lis
(1999) e Devoração (2000).
voltar