
Leia comentários dos leitores no final da página |

Dezembro.2004
- Madaleines com chá de tília
Na literatura Infância e memória são temas recorrentes,
associados. A infância porque encanta, a memória porque redescobre e revela. Há
centenas de poemas romances e filmes célebres, a maioria envolvida em
emoção, humor e nostalgia.
Um dos casos mais famosos é a obra Em Busca do Tempo Perdido,
do francês Marcel Proust (1871-1922). O tema não é apenas infância e memória,
mas o tempo, o tempo de antes redescoberto agora, para ser Literatura.
Já adulto Proust experimenta o bolinho madaleine e instantaneamente lhe vem à
memória momentos de sua infância nas proximidades de Paris, a paisagem, a tia
inválida que lhe servia madaleines com chá de tília. Essa experiência (sensação
presente/memória involuntária) foi determinante na concepção dos seis volumes da
obra. Os bolinhos madaleines, moldados segundo o formato de uma concha de moluscos,
tornaram-se ainda mais famosos e é possível encontrá-los por toda a França,
símbolo comestível de uma das maiores obras da literatura ocidental, espécie de
catedral literária do século XX. De caráter psicológico, tem narrativa
introspectiva e lenta com descrições detalhadas, centenas de personagens, a vida e
suas sensações em minúcias.
No Brasil Proust foi traduzido por Mário Quintana e Carlos Drummond de Andrade, em
edições da Editora Globo, de Porto Alegre. Leitura pra toda a vida.
Conheço apenas uma adaptação para o cinema: Um Amor de Swann, produção
francesa de meados dos anos 80, com Alain Delon e Ornella Muti. Baseado na primeira
parte, é um filme muito bonito mas distante do universo introspectivo do
romance.
Não sei porque mas durante muito tempo acreditei que a percepção poética da infância
cresceria à medida que eu envelhecesse. Consequentemente, na maturidade eu escreveria
poemas melhores. Agora, aos 45, acho isso sem sentido. Poemas maravilhosos são escritos
por poetas de todas as idades. Como é o caso de A criança em ruínas do
poeta português José Luís Peixoto:
A criança em ruínas
José Luís Peixoto
na hora de pôr a mesa éramos cinco:
o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs,
E eu. depois a minha irmâ mais velha
casou-se. depois a minha irmã mais nova
casou-se. depois, o meu pai morreu. hoje,
na hora de pôr a mesa, somos cinco,
menos a minha mais velha que está
na casa dela, menos a minha irmã mais
nova, que está na casa dela. menos o meu
pai, menos a minha mãe viúva. cada um
deles é um lugar vazio nesta mesa onde
como sozinho. mas irão estar sempre aqui.
na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco.
enquanto um de nós estiver vivo, seremos
sempre cinco.
Eis um poema transcendente. Pertuba e
comove.
José Luís Peixoto tem menos de 30 anos, esteve no Brasil em 2003 participando do Salão
do Livro, e em 2004 para o Fórum das Artes em Ouro Preto.
Abaixo outro poema, escrito por Manoel de Barros, quando tinha mais de 80:
Hoje completei 10 anos.
Fabriquei um brinquedo com
palavras. Minha mãe gostou. É
assim:
De noite o silêncio estica os
lírios.
Manoel de Barros tem 90 anos, e
construiu uma das obras mais originais da poesia brasileira do século XX. Grande
parte tem a infância como tema.
Infância e esse papo-cabeça-todo
veio-me à memória porque fui assistir ao filme argentino Valentim,
uma abordagem poética e inventiva do tema. Um menino de oito anos (Valentim) narra sua
infância na Argentina dos anos 60. Vive com uma avó amorosa, mas triste e doente.
Mesmo frente a um presente sombrio, Valentim é doce, extremamente articulado e sensível,
faz amigos adultos por conta própria, conta mentirinhas pro tio machão, aprende a tocar
piano, não sabe da mãe e só de vez em quando recebe visitas do pai. Por sua
simplicidade e leveza, por seus momentos transcendentais. Um filme comovente sem ser
piegas. Escrito e dirigido por Alejandro Agresti. Com Rodrigo Noya, Carmen Maura,
Alejandro Agrest. Espetacular.
Feliz Natal.
"Eu queria crescer pra
passarinho..."
Manoel de Barros
comente
voltar
***********************************************************************************
***********************************************************************************
NOVEMBRO

12.10.2004. Começo
essa história de blog, isso de dar uma opiniãozinha de nada sobre tudo, sobre o que
é o amor e o que sei que não sei. Mas aqui começo:
"Se eu não me queimo
se tu não te queimas
se nós nos queimamos
como as trevas se tornarão
claridade ?
Nazim Hikmet
13 de outubro: Desde
a infância eu soube que a maçã era símbolo da tentação, mas só agora descubro
que o Marmelo, junto com a Romã, são frutas simbólicas de Afrodite, a deusa do
êxtase sexual e da juventude. Descobri isso em um livro magnífico: AFRODITE,
Contos, Receitas e Outros Afrodisíacos, de Isabel Allende, Editora Bertrand
Brasil. A escritora chilena faz uma viagem pelo mundo da culinária e do erotismo, comenta
o caráter afrodisíaco das comidas, fornece receitas tradicionais do Chile, como a Bouillabaisse,
uma sopa chilena feita com seis tipos de peixes, todos recém-pescados. Há ainda
receitas de frutos do mar, aves e carnes vermelhas, além de receitas que apimentam
a relação, outras adequadas para orgias ou para reconciliações. Tudo pontuado
por deliciosos comentários da autora. O livro tem edição em capa dura, com
beliíssimas ilustrações de Robert Shekter. Isabel é uma mulher
inteligente e sensível, transforma tudo com sua verve literária: "Arrependo-me
dos pratos deliciosos rejeitados por vaidade, tanto como lamento as oportunidades de fazer
amor que deixei passar para me dedicar a tarefas pendentes ou por virtudes puritanas, já
que a sexualidade é um componente da boa saúde, inspira a criação e é parte do
caminho da alma. Infelizmente, demorei trinta anos para descobrir isto".
Depois de ler você vai achar mil motivos para improvisar um jantar afrodisíaco.
Agora começo a acreditar que a Gula e a Luxúria são pecados leves, mas dão muito
trabalho.
15 de outubro -
Falando em boa leitura, o romance Infinito em Pó, de Luís
Giffoni, será lançado dia 6 de dezembro na Assembléia Legislativa de Minas.
Giffoni é um dos maiores escritores mineiros da atualidade, recebeu o prêmio da
Associação Paulista de Críticos de Arte, APCA, Bienal Nestlê, o Cidade de Belo
Horizonte e outros tantos. Já escrevi sobre um dos romances do autor: Adágio
para o Silêncio. Giffoni é um prosador com veia poética. Seus romances são
muito mais que thrillers inesquecíveis, A Verdade tem olhos verdes daria
um excelente filme, onde ingredientes como a violência e a ambição determinam o destino
do homem, e há sempre uma boa história. Mas o que me encanta bastante é o estilo
elegante da linguagem. Magnífico.
15 de outubro -
Recebi um pacote com cinco ou seis números do novo Suplemento Literário
de Minas Gerais, desde o início do ano sob a direção/edição do poeta
Fabrício Marques. Editado regularmente pela imprensa oficial de Minas Gerais há
décadas, o SL já passou por diversas fases, celebrizou-se nos anos 70 sob a direção de
Murilo Rubião e teve bons momentos nos anos 80.
Nos últimos tempos vivia assim no canto do panorama literário, sem que
ninguém lhe desse muita importância. Agora resurge e vive um bom momento.
Graficamente não há muitas mudanças. Embora esteja mais limpo, ainda mantém aquele visual
nanquin dos anos 70/80. O SL me pareceu mais interativo e mais conectado com o
chamado mundo literário e com escritores das mais variadas tendências/panelas.
Gostei muito da seção Primeira Pessoa, com belos depoimentos de Cunha de Leiradella,
Sebastião Nunes e Donizete Galvão. Merece destaque a diversidade de autores e o
espaço garantido aos jovens. Renascer é dez.
O Prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira
vai premiar as três melhores obras de criação literária (romance, contos, crônicas,
poesia e dramaturgia) publicadas em 2003, editadas em língua portuguesa, de autor
brasileiro e em primeira edição no Brasil, O resultado sai no dia 9 de novembro. Os
vencedores receberão R$ 100 mil, R$ 30 mil e R$ 20 mil, respectivamente, primeiro,
segundo e terceiro colocados, baba boa.
Este foi o ano Chico Buarque. Chico na literatura, na música e no teatro, no rádio e na
tv. Chico no JB, Globo, Folha, Estadão, Estados todos. Chico Chico, Chico. Chega, que tô
de saco cheio! Cadê Caetano?
um poema:
aahhh minha nação descendo o morro,
atravessando florestas, arando o serrado,
escalando o penhasco, esquivando-se de
balas perdidas, ensaiando o rebolado,
cantando e dançando via satélite.
todos assistem, todos de olho.
quem quer cantar no banheiro?
encenar o grande reality show?
114 câmeras. milhões de olhos.
milhões ligando agora.
todos espiam. é esta a sintonia:
quem sai? quem fica?
tiaca tiaca na mutiaca. na batida da
lata.
mande bem. mande mal. mande o refrão.
tiaca tiaca na mutiaca. na batida da
lata.
pense. pense bem. pense mal.
e mude o canal.
(L.E.A)
16 de outubro - Recentemente li Os Espelhos de
Lacan, romance de Cunha de Leiradella, Editora Ciência Moderna. Leiradella
nasceu nos contrafortes da Serra do Gerês, norte de Portugal, possivelmente na
década de 30, veio para o Brasil em 1958, aqui desenvolveu sua carreira de escritor,
trabalhou em jornais e ganhou uma centena de prêmios literários (ou mais), entre eles o
Cruz e Souza e o Fernando Chináglia, escreveu contos, peças de teatro e roteiro para
cinema. Viveu 23 anos no Rio e 23 em Belo Horizonte. Em julho de 2003 regressou a
Portugal.
Quanto ao romance, que trata da provável morte do personagem Eduardo da Cunha
Júnior, tem vários narradores, cada um com sua versão, cada um dando pistas e ao
mesmo tempo confundindo o leitor. E nem tudo se esclarece. Eduardo da Cunha Júnior
já foi protagonista em outros livros de Leiradella, e teve várias profissões. Bom
divertimento, mesmo não sendo o melhor Leiradella.
Escrever é improvisar vírgula e criar ponto.
17
de outubro - Balzac e a Costureirinha
Chinesa, O filme se passa num "Campo de reeducação", para onde dois
jovens são enviados na década de 70. Um deles toca violino, o outro sabe contar
histórias e ambos se apaixonam pela pequena costureirinha da vila, ela lhes revela
onde encontrar livros clássicos. Na China de Mao Tsé-Tung grandes cássicos da
literatura universal eram considerados literatura pequeno-burguesa e tinham a fogueira
como destino. Em um lugar seguro os três juntam-se nas leituras e descobrem um novo mundo
nos livros de Flaubert, Victor Hugo e Balzac. Histórias pararelas mostram com delicadeza
o cotidiano dos habitantes da pequena vila. E fica claro o poder da literatura na
formação/transformação das pessoas. Para melhor. Quatro estrelas.
País: China/França, 2002 - Direção: Dai Sijie
"Uma parte de mim
é permanente
outra parte
se sabe de repente" Ferreira Gullar
23.10.
Toda arte envolve conhecimento e intuição. Conhecimento é uma série de regras,
ou conceitos, que se aprende, se aplica e que são de domínio coletivo. Uma pessoa
ensina outra, que ensina uma terceira, propagando esse conhecimento de forma relativamente
harmônica. Já a Intuição é da ordem do indivíduo, anterior ao conhecimento e
manifesta-se de forma desconexa. Pintores e poetas são os mais intuitivos dos artistas.
O conhecimento é mais um instrumento para seu uso, ou desuso. Se a palavra é o
significado, a emoção é a essência. Acho que por isso os poetas intuitivos são
mais lidos, citados e amados.
Poesia é um eco que o poema
provoca na emoção do leitor
24.10 - Gostaria de comentar todos os livros que recebo. Mas infelizmente a preguiça, e
eventualmente a falta de tempo, não me deixam. Como não pretendo ser crítico
literário, faço opção por escrever apenas sobre aqueles de que gostei
muito. Que me perdoem os outro autores, e me compreendam. E também porque não tenho a
intenção de ficar detonando ninguém, embora, às vezes, tenha muita vontade. Nem me
empurrem que eu quero ficar na minha.
Pégaso: A LENDA
- Mvth. gr. Cavallo alado que
representa um papel em muitas lendas. Tinha nascido nas
nascentes
do Oceano, do sangue de Medusa,morta por Perseu.
Serviu primeiro de montaria a
esse heroi em algumas
de suas expedições, nomeadamente aquela em que
libertou Andromeda. Um dia quando se dessendentava
na fonte Pirene, foi capturado por Bellorophonte que,
graças a elle, venceu a Chimera, as
Amazonas e as
Salymas. Mas Bellorophonte, embriagado por suas
victorias, quis
elevar-se até ao céu. Pégaso, picado por
um Moscardo desmontou-o,
tornando-se depois montaria
de Zeus. Identifica-se muitas vezes com o
cavallo que
Poseidon fez sahir da rocha da Acrópole batendo o sólo
com seu tridente. Outras lendas faziam de Pégaso
a
montaria das Musas, ou o pae dos Centauros.
Por causa de sua relação com as
Musas tornou-se
para os antigos, e assim ficando para os modernos, o
symbolo da inspiração poética. Zeus fez de Pégaso
uma constelação. (REPRODUÇÃO)
28.10. Gosto muito de livros. De
guardar livros. Ver a estante
precisar de mais uma tábua, ou duas. Mesmo sabendo que nunca
lerei muitos deles, que outros exibirãos seus títulos me tentando, e
não serão lidos. Tem aqueles que estão sempre empoeirados,
manchados, os que foram lidos somente uma vez, os esquecidos,
os que estão sempre em "leitura", os ilegíveis e os eleitos.
Ensebados eleitos, rasgados, viajados, experimentados pelos
mais diversos olhos. Sabem disso, e têm cheiro de eleitos, títulos
e autores de eleitos, merecem a liberdade. Merecem
cumprir o destino que Carlos Alberto Castelo Branco denfendia
pra eles: livro bom é livro livre.
inté!
COMENTÁRIOS DOS LEITORES:
Tenho acompanhado o "Tanto" um tanto
contente. Até linkei ele no nosso "Armengue Press", pois a teia é
selvagem. Não querendo alimentar uma polêmica, mas não posso deixar de fazer um
breve comentário sobre a idiotice registrada pelo Anelito de Oliveira, já que o sítio
que edito foi citado por ele. Como você, penso que é de suma importância os veículos
que cobrem a nossa tão mutável literatura estarem "antenados" com as
novidades que surgem nos dias atuais e a literatura que respiramos e - porquê
não? - comentamos e escrevemos.
Na semana passada estive em São Paulo para o
"Encontros de Interrogação" promovido pelo Itaú Cultural. E uma das
mesas do colóquio, que reuniu mais de cem prosadores, poetas e jornalistas para discutir
a atual produção literária brasileira, era "A nova literatura vem da
internet?". Ora, que a internet influenciou nas narrativas de alguns autores (vide
Joca Reiners Terron e Marcelino Freire) não é novidade nenhuma. Além disso, tem
proporcionado o surgimento de bons escritores, que estão migrando do monitor para o
papel. Mais precisamente, o livro.
O "Encarniçado" do baiano João
Filho, que está lá encralacado em Bom Jesus da Lapa, é uma prova mais que
satisfatória das maravilhas que o ciberespaço vem oferecendo à nova literatura
brasileira.
No comentário, o Anelito se refere a uma breve
nota publicada no blogue que edito com o Wir Caetano e o poeta Renato Negrão (e não o
Ricardo Aleixo, que apenas colaborou conosco, e escreve em seu http://jaguadarte.zip.net). O texto, cujo título era
"O Suplemento não vai para o ralo..." abordava a nomeação de um novo editor
para o nosso SL, após meses de não circulação. Sim, ele citava o último
editor e informações que não eram segredos para aqueles que estão no
métier literário belo-horizontino, já que o Armengue Press é lido por uma maioria
de literatos e aspirantes.
No mais, acho que nossa literatura anda muito
bem acompanhada. Abracios e sucesso.
Luiz Edmundo,
tava faltando isso: opinião. discordo com relação a Chico, porque Chico nunca é
demais. no mais, mais. abraço
Ricardo Arruda Martins - SP. SP.
caro luís:
não sei como você é capaz de escrever tamanha palhaçada sobre o suplemento. ou sei.
talvez realmente eu saiba: é preciso manter sempre uma política de boa convivência,
afinal,a literatura só serve mesmo como trampolim para ascensão na vida social neste
país de picaretas, não é mesmo? seu comentário não é só irresponsável, mas
nojento, a exemplo de um feito por wir caetano/renato negrão/ricardo mídia no blogue
deles. talvez blogue seja não só privado, mas uma privada mesmo, para ser mais preciso,
uma bosta.
tristemente, Anelito de Oliveira - ex-editor do Suplemento Literário
Grande
Luiz Edmundo Alves, parabéns pelo blog! Criativo, livre e inteligente. Uma asa solta, ao
vento. À procura de palavras e mais palavras. Para realizar o encontro verdadeiro, no
sentimento indizível, a beleza estampada. Um prazer eterno em ter a sua e as nossas
presenças .Um abração do jornalista,
ensaísta, escritor e poeta José Aloise Bahia /bhz/mg...
Caro Luiz,
Fiquei surpreso e feliz com a novidade do blog. Seu texto de prosa é muito bom. Devia
escrever um romance. Coloquial, direto, sem frescuras de intelectual metido a besta.
Gostei dos comentários e das dicas todas. Menos a do Chico, que Chico é deus e Caetano
é um santo muito chato, embora igualmente genial. - Jorge Fernando dos Santos, escritor e
jornalista
Meu caro Luiz Edmundo,
muito bom o Tanto de novembro, com Castelo (ainda/sempre) e Sabino em pauta-homenagem.
Gostei muito de seu blog: ágil e profundo, curto & grosso, como me dizia o Ziraldo
nos (bons) tempos do Pasquim.
gostei muito. Ronaldo Werneck - poeta
Edmundo
Estive no seu Blog. Não foi nenhuma surpresa encontar o que encontrei: textos de alta
qualidade. Eu já conhecia a sua "pena". Um abraço - Raymundo Silveira
Luiz,
entendi que vc estava cansado da imprensa com Chico, sei que no fundo ama Chico. Mas pedir
Caetano foi demais... Talvez queira o Bababdo Novo junto.
André BOTELHO, estudante de Salvador Bahia
comente
voltar
|