blog1.gif (4165 bytes)

 

luizedmundo-o3o5.jpg (6469 bytes)
Anos 80, Mário Faustino, poetas, mídia e abutres

20 de fevereiro - Durante algum tempo muita gente classificou os anos 80 como  "a década perdida". Como vivi esta década quero rebater tal tese. Creio que há um misto de inveja, saudosismo e crueldade por parte dos críticos. Perdida pra quem, bicho ?...
Uma década pode ser marcada por grandes fatos políticos:
A campanha das Diretas Já, uma das maiores manifestações populares na história brasileira. Mobilizou artistas e estudantes, políticos e trabalhadores, imprensa e artistas. Os grandes comícios se espalharam pelo país. Lembro-me da  emoção que senti no comício da praça da Rodoviária em Belo Horizonte, 1984, eu e minha então namorada Angela ficamos abraçados, comovidos com Milton Nascimento cantando Coração de Estudante, estudantes universitários que éramos.
Uma década pode ser marcada por  artistas e gêneros musicais:
As bandas de rock, citar Cazuza e o Barão Vermelho já seria bastante, mas não me contenho e pergunto qual banda seria capaz de superar em criatividade e estilo (com excelente e renovada poesia social) os Titãs?  Músicas como Comida, Polícia e Bichos Escrotos viraram cult.
E não há como esquecer a Blitz e Renato Russo e sua legião urbana.
Perdida pra quem, bicho ?...
A poesia foi marcada pelos então chamados poetas  independentes e pela coleção Cantadas Literárias da Editora Brasiliense que publicou poetas definitivos como Ana Cristina César, Paulo Leminski, Chacal e José Paulo Paes. Tivemos excepcionais traduções de poetas americanos da Geração Beat, até então completamente desconhecidos por aqui. Traduziu-se livros fundamentais como o Uivo de Allen Ginsberg, e On the Road de Jack Kerouac. Nos anos 80 a poesia desprendeu-se dos ismos escolásticos e quis mais ainda a liberdade criativa e o leitor. "Essa poesia vulgar que não me deixa mentir". Paulo Leminski.
Não me lembro de algum grande romance escrito por essa geração, mas tivemos livros marcantes como Feliz Ano Velho, de Marcelo Rubens Paiva. Quanto ao romance, se alguém souber me fale. Pode ser que tenha me esquecido. Mas houve grandes contistas.
Como houve o  Flamengo de Zico e Júnior, e a  seleção de Telê que, mesmo não vencendo, entrou para História como exemplo de futebol arte. Década perdida pra quem, bicho?

22 de fevereiro -  Poetas que querem fazer poesia com bons conhecimentos da tradição crítica devem ler o   livro Mário Faustino - DE ANCHIETA AOS CONCRETOS, pesquisa e organização da professora Maria Eugênia Boaventura (Ed. Cia das Letras, 2003) reúne críticas e comentários sobre livros e poetas escritos por Faustino quando foi editor do histórico suplemento dominical do Jornal do Brasil (1956/1958 - um tempo em que os suplementos dominicais ainda se importavam com poesia).
Mário Faustino (1930-1962) foi um grande crítico de poesia, como escreveu Ruy Castro na orelha, "parecia ter lido toda a poesia do mundo em todas as épocas e em todos as línguas, ou quase...".  Faustino exerceu alguma influência dentro de    grupos/panelas que então dominavam a poesia. Cristalizou certa descrença com relação à geração de 45, aclamava Drummond (o óbvio), Vinícius, Cecília Meireles e os concretistas, duas ou três vezes aventurou-se a aclamar algum jovem, publicando poemas e fazendo leitura crítica dos mesmos. Em qualquer caso a leitura era mesmo crítica, eventualmente cruel, apontando bons e maus versos. Obviamente são leituras sempre polêmicas e muitas não se sustentaram historicamente. Quase meio século depois o arsenal crítico e a isenção de Faustino ...

23 de fevereiro -Textos nas orelhas tornaram-se quase obrigatórios nos livros de poesia lançados nos últimos anos. Cada vez mais desconfio deles, ou trazem interpretações vazias ou elogios, nem sempre sinceros, de "amigos  ilustres".  Basta uma breve biografia do poeta, de resto é o conteúdo que interessa.

25 de fevereiro - Freqüentemente as pessoas relacionam poetas com intelectuais. Certamente porque muitos poetas são mesmo intelectuais. Mas fazer poesia não é uma atividade intelectual, ao contrário, fazer poesia é uma atividade artística, com todas as suas contradições. Conhecer a tradição crítica, conhecer filosofia e psicologia, ter estupenda cultura geral, tudo isso ajuda, mas não determina um bom poema, não confere talento a ninguém. Muitas vezes atrapalha, destitui a poesia de algumas de suas mais preciosas qualidades: formatação estética,  fluxo do inconsciente, intuição, sentimento, experimentalismos verbais e sonoros. Poetas sejam artistas!

28 de fevereiro - Em tempos de celebridades globais a mídia fofoqueira se profissionalizou pra valer. Faz prevelecer um pretenso direito de vasculhar a vida alheia, com um argumento absurdo: " você é uma celebridade,  portanto sua vida interessa a todos, especialmente sua privacidade e seus segredos". São as hienas da selva midiática. Isso me faz pensar num clássico do cinema americano: A Montanha dos Sete Abutres, do genial Billy Wilder. Um jornalista ambicioso e mau caráter, Kirk Douglas, transforma um simples acidente em um drama de grandes proporções,  ajudado pelo sensacionalismo de um jornal e pela curiosidade insaciável do povo. Douglas dá um show de interpretação, e fica claro como a imprensa marrom impõe seus métodos ao jornalismo, enterrando direitos individuais e ética. Forte e belo, em preto e branco. Wilder é um cineasta de peso, embora pouco citado nos últimos anos. Dirigiu comédias que fazem parte da história do cinema, como Quanto mais Quente Melhor, estrelado por Marilyn Monroe, belíssima, e Toni Curtis e Se Meu Apartamento Falasse, com Jack Lemmon e Shirley McLaine. Imperdíveis.

inté :-)


Dezembro 2004 - Janeiro 2005
História e viagens, biografias e  jornalismo

Viajando, viajando...

22 de dezembro - Longe do computador, adotei um pequeno maço de papéis para continuar escrevendo sobre tudo. Atravesso Minas Gerais a bordo de um buzum da Gontijo, destino: Almenara, fico na fazenda dos meus pais onde posso andar a cavalo, descançar e ler e dormir e ler e continuar escrevendo isso.

Em Almenara, como em  todo o vale do Rio Jequitinhonha, a população sofre com a falta de chuva. Por isso a Chuva tem ares de evento. Excita as pessoas, torna-se motivo maior das conversas. Quando cai uma chuvona daquelas, que enche os rios e os açudes, transborda pelas pontes, interdita as estradas, ninguém reclama: foi a Chuva, que tava faltando. O campo amarelado, seco, repentinamente torna-se verde. Verde-pastagem. E a vida segue, renovando o velho, envelhecendo o novo.

Viajando, viajando

24 de dezembro - .Venho passar o natal em Vitória da Conquista, Bahia. Depois de receber a benção da avó e madrinha Adelina vou passear no centro e compro o livro do Pedro Bial sobre Roberto Marinho.
A cidade e as pessoas são extremamente agradáveis, mas o melhor é beijar as mãos de minha avozinha e estar perto da família. Desta vez não me vejo tomado pelas inevitáveis lembranças da infância. Nem o futuro me assombra. As ruas fervilham, é natal.
Na praça da feira não posso de deixar de observar a quantidade de carne de sol e a alvura  das farinhas de mandioca. Muitos dos artigos tipicamentes nordestinos, feitos em couro cru ou sola, vão rareando
A alameda está repleta de barracas com mercadorias "paraguaias". A música é puramente baiana, só dá Ivete e Babado Novo, axé meu rei...

Na rua 2 de Julho é inevitável  lembrar de Gláuber: " Sou um sertanejo de Vitória da Conquista"  e  "A Arte é irreal, surreal, expressional, a arte é delirante. O realismo está no telejornal".

25 de dezembro - Como acarajé no prato, com garfo e faca, uma novidade para mim que sempre segui a tradição de comer no saquinho de papel, lambuzando os dedos e a boca, sem termos. E Ivete no som...

Percebo o quão musa é Ivete, mas não me esqueço de Elomar.

Ceiar com a família foi maravilhoso, mas o destaque foi almoço de hoje, 25: pernil de carneiro assado,   farofa de feijão verde na manteiga, carne de sol, lombo suíno com abacaxi, arroz e saladas. E doces, de jaca, banana,  cocadas. Por insistência dos tios experimento uma cachaça típica com o nome Gabriela, sugestivamente temperada com canela. Gosto, tomo uma dose inteira e perco todas no sinuca.

28 de dezembro - Acabei de ler o livro Roberto Marinho do jornalista Pedro Bial, Jorge Zahar Editor.  Trata-se de uma extensa reportagem ou, como avisa o autor,  uma biografia autorizada, que busca traçar um perfil do fundador da Rede Globo.   Escrita em tom coloquial,  agradável de se ler. Senti uma oficialidade que agora me é difícil explicar. Ou não. Roberto Marinho, assim como Chateaubriand, e muito mais que Samuel Weiner, Carlos Lacerda e todos os Rodrigues, exerceu enorme influência neste país. Nos anos 70 e 80 atribuíam-lhe poderes de Sultão, fosse indicando ministros fosse inflando candidaturas. Sempre mantive grande expectativa com relação à biografia de Marinho. Esperava que a fundação da Rede Globo e a polêmica Time-Life, com CPI e tudo, viessem como uma grande epopéia, ao estilo Samuel Weiner, com Carlos Lacerda interpetrando o vilão conspirador. Mas Bial é leve e tranquilo na apresentação dos fatos, em alguns momentos pensei mesmo que ele estivesse escrevendo um texto pro Fantástico, ou pro Big Brother...  Destaque negativo pros adendos com informações históricas,  qual leitor deste tipo de biografia não sabe o que foi a República Velha, a política do café com leite, o tenentismo e o AI-5? ... heim?
No entando consegue compor um retrato bastante informativo e joga luz sobre diversos mistérios que envolviam Marinho,  desde a fundação de O Globo por seu pai Irineu, passando pelos envolvimentos de Roberto com a política, a luta com Carlos Lacerda (sempre ele), o apoio   a Tancredo Neves e a tão falada "edição" do debate entre Collor e Lula em 1989.

Viajando, viajando...

Feliz 2005 !

01 de janeiro - Escrevo isso em Porto Seguro, olhando a imensidão do mar, banhado em ondas de calor, enfeitado por uma tatuagem de rena  e por gotas de suor, perfumado pela maresia, escudado pela companhia e pelo afeto da família.  Brisa do mar, torpor... e a trilha sonora é Axé e Forró. Dançando... dançando... dançando...
Incrível como todos nos deixamos tomar pelo clima de prováveis mudanças com o ano novo. No fundo sabemos que  algo vai mudar, que tudo muda, ainda que lentamente. Como sou romântico e acredito em mudanças, faço planos, concebo vôos de imaginação, bebo espumantes, me emociono com os fogos de artifício e com a música. Danço e celebro a vida. Provo do ócio criativo e sinto um gosto de nuvens.

A Costa do Descobrimento. Em Coroa Vermelha tem um monumento em homenagem à celebração da primeira missa, antes porém passamos por uma extensa alameda, repleta de barracas com artesanato local, marcadamente dos índios Pataxós. Não tenho muito interesse por artesanato,  mas admiro as gamelas e os instrumentos indígenas.

Em Coroa  presenciei uma cena que despertou vontade  de ler a tão famosa carta que Pero Vaz de Caminha escreveu ao rei de Portugal quando a esquadra de Cabral aqui aportou:
-- " Foi depois de pisar estas terras e observar esta paisagem que Caminha sentou-se para escrever tão bela peça, tão precioso documento histórico." - disse um  guia com um carregado sotaque paulista a um grupo de turistas. O tom era teatral. Levantou os dois braços pra frente, de costas para o mar, e arrematou com um trecho da carta de Caminha:
- " Pelo sertão nos pareceu, vista do mar,  muito grande; porque a estender olhos, não podíamos ver senão terra e arvoredos -- terra que nos parecia muito extensa. (...)  Até agora não pudemos saber se há ouro ou prata nela, ou outra coisa de metal... Águas são muitas; infinitas. Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo; ".

Um mergulho no mar de Coroa. Molho papel e caneta, papéis se colam, descolo,  ponho pra secar sob umas cascas  de coco, meu pai acha graça. Um turista acha graça. Tomo água de coco e escrevo de novo em papel seco, acrescentando a curiosidade pela carta. Salvei.

02 de janeiro - Não sou dado a religião. Mas Deus habita o Arraial de Nossa Senhora d'Ajuda. Cri em em alguma coisa divina quando bebi a água de uma fonte considerada sagrada. O mar visto do morro é ainda mais lindo e extenso, não há nada a fazer senão olhar, olhar, olhar... olho, e agradeço a Deus poder olhar e ter emoção pra chorar. O choro é um sentimento gasoso. Outra aguinha de coco e a emoção se dissipa. Me preparo para a volta.

Algum dia, em algum lugar, algum poema poderá conter a simplicidade divina da água de coco?
pra que serviria um poema com a simplicidade divina da água de coco?

05 de janeiro - 16 dias e 2 500 quilômetros depois estou novamente em casa. Do pequeno maço de papéis sobraram duas folhinhas com as anotoções. Agora apenas papéis velhos, dobrados/amassados/riscados lembrando-me que em algum momento estive banhado em ondas de calor, perfumado pela maresia, enfeitado por uma tatuagem de rena e por gotas de suor.
Essa história de escrever com caneta merece uma reflexão. Tinha perdido o  hábito,  minha letra ficou ficou horrível.  Desde a faculdade que não escrevia textos maiores a mão. Primeira foi uma Olivetti Lettera, depois o computador, essa "coisa" essencial/fundamental/insubstituível plantada bem no centro de tudo. O epicentro do universo é um computador. E nem precisa ser um Pentium, bastar copiar e colar, salvar e conectar...

12 de janeiro - Uma parte da história do jornalismo e da imprensa no Brasil  do século XX pode ser entendida a partir de três grandes livros: o relato autobiográfico Minha Razão de Viver, de Samuel Weiner, editado e organizado por Augusto Nunes, reproduzindo fitas deixadas por Weiner. Chatô, O Rei do Brasil, biografia de Assis Chateaubriand, escrita por Fernando Morais, e O Anjo Pornogáfico, biografia de Nelson Rodrigues, escrita por Ruy Castro.  Três biografias com status literário. É sobre elas que escreverei durante jeneiro.

14 de janeiro
- As memórias de Weiner (1913-1980)  foram publicadas pela Record no início dos anos 80, é um relato apaixonado e intenso do grande jornalista. Ainda no final dos anos 40 Weiner fez reportagens de repercussão sobre o petróleo no Brasil e em outros países latinos. Foi o  único brasileiro a cobrir os julgamentos do Tribunal de Nuremberg. Cobriu, para os Diários Associados, a campanha de Getúlio à presidência em 1950. Getúlio venceu e lhe deu condições para fundar o Última Hora, jornal vespertino que revolucionou o jornalismo da época. Ao fundar um jornal com pretensões populares, governista mas ousado, Weiner dasafiou o Clube da Imprensa no Brasil, que tinha homens poderosos como Roberto Marinho (O Globo e Rádio Globo),  Paulo Bittencourt (Jornal do Brasil) e o então poderosíssimo Assis Chateaubriand, que oferecia a TV Tupi para o imbatível orador Carlos Lacerda detonar Getúlio e o Última Hora. Acabou dando em CPI e um quase impeachement de Getúlio. Entretanto o jornal resistiu e quem quiser saber mais vai se fascinar, se deixar tomar pela emoção dos fatos históricos narrados  nas páginas de Minha Razão de Viver... Samuel Weiner morreu em 1980, escrevendo diariamente no pequeno e prestigiado espaço da página 2 do jornal  Folha de São Paulo, assinava apenas SW.

15 de janeiro - Maravilhoso sol de janeiro. E lembro um verso do meu amigo Antonio Barreto: "Tenho motivos, tenho, minha vontade de não fazer as coisas necessárias, as coisas breviárias, é como urtiga, sim,"

16 de janeiro - Voltando às biografias: Outra versão, não muito diferente, da grande aventura de Weiner pode ser lida em Chatô, o rei do Brasil,  Editora Companhia das Letras, possivelmente a mais bem escrita, pesquisada e documentada biografia  no Brasil. Um saboroso tijolo de 734 páginas, ilustrado por centenas de fotos. O título do livro já passa uma idéia da influência e  riqueza da vida de Assis Chateaubriand (1893-1968).
Se o relato de Weiner é apaixonado, no livro de Fernando Morais prevalece uma simpatia distante, sustentado pela narrativa fluente, como em um bom romance.
Chatô participou como protagonista de praticamente tudo que se fez de importante no Brasil entre os anos 20 e os 50. Manteve com Getúlio uma relação de admiração, interesse e ódio. Odiou  muita gente. Teve dezenas de inimigos, entre eles os Matarazzo, Weiner e dezenas de jornais que denunciavam diariamente suas "armações". Foi Senador, membro da Academia Brasileira de Letras (sucedendo Getúlio), Embaixador na Inglaterra. Às vezes agia como simples ladrão, chantageava, ameaçava. No entando dava proteção a exilados políticos, lhes oferecia trabalho em seus jornais. Trouxe a tv,  fundou o Museu de Arte de São Paulo, dois grandes momentos do livro. Era apaixonado por aviação e agricultura. Sem esquecer a epopéia   de O Cruzeiro, a mais importante revista semanal do país durante 35 anos. O Cruzeiro celebrizou muito gente, merece destaque a história dos jornalistas David Nasser e Jean Mazon quando, pela primeira vez, fotografaram aldeias indígenas na Amazonia. Uma dupla que fazia sucesso,  Manzon fotografando e Nasser redigindo.
Chatô era uma personalidade pitoresca, de reações imprevisíveis, 734 páginas, um zilhão de fotos,  irresistível Chatô!

18/19 de janeiro - O Anjo Pornográfico, de Ruy Castro, Ed. Cia das Letras, é o que se pode chamar de livro maravilhoso. Também extraordinariamente documentado e bem escrito. A vida de Nelson Rodrigues (1912-1980)   teve lances de novela, trovoadas do quinto ato do Rigoletto, como ele próprio diria. Mas houve momentos de alegria,  reconhecimentos e vitórias espetaculares, com roteiro que nem o próprio Nelson seria capaz de escrever.
Se hoje Nelson Rodrigues é sinônimo de genialidade no teatro,  em vida esteve inteiro no jornalismo, primeiro como repórter e mais tarde como cronista e autor de folhetins que fizeram o Brasil conservador dar tiros.
Foi funcionário de O Globo, de Roberto Marinho, de o Diário da Noite e O Cruzeiro, de Chateaubriand, e no Última Hora, de Samuel Weiner. Com seus folhetins e suas peças logo adquiriu a pecha de tarado, mais tarde seria o reacionário, muita gente queria ver seu pescoça na corda, mas tinham aqueles que sempre encontravam um motivo a mais para festejar o talento de Nelson, fosse no teatro ou na crônica. Talento jornalístico era uma marca dos Rodrigues, o pai de Nelson, Mário Rodrigues, era uma potência como jornalista, dono do jornal A Crítica, o irmão de Nelson, Mário Filho, foi um dos maiores jornalistas esportivos brasileiros entre os anos  40 e 60. O nome oficial do Maracanã é Estádio Mario Filho, em sua homenagem. Dois outros irmãos também foram jornalistas conhecidos.
A obra de Nelson marcou, e ainda marca, o teatro brasileiro. Suas peças continuam sendo encenadas pelo país. Mas será difícil encontrar um roteiro com os lances espetaculares de sua vida. Genial e surpreendente Nelson!

inté!

para ler blogs anteriores

destaques