José
Oswald de Souza Andrade nasceu em São Paulo em 11 de janeiro de 1890 e morreu em
22 de outubro de
1954, também em São Paulo. Formou-se em direito em 1919. Publicou seus primeiros
trabalhos no semanário paulista de crítica e humor intitulado "O Pirralho",
que ele mesmo havia fundado em 1911. O semanário o tornou conhecido como um escritor
combativo e polemista.
Em 1920, fundou o jornal "Papel e Tinta". Oswald foi, junto de Mário de
Andrade, um dos principais responsáveis pela Semana de Arte Moderna de 22, ano em que
publicou "Os Condenados" (de a "Trilogia do Exílio"). Sobre sua vida
de homem de letras, o próprio Oswald afirmou certa vez: "Literariamente, minha
carreira foi tumultuosa. Pode-se dizer que se iniciou com a Semana de Arte Moderna em
1922. Publiquei, então, 'Os Condenados' e 'Memórias de João Miramar'. Descobri o poeta
Mário de Andrade, do que muito me honro. Iniciei o movimento Pau-Brasil, que trouxe à
nossa poesia e à nossa pintura sua latitude exata. Daí passei ao movimento
antropofágico, que ofereceu ao Brasil dois presentes régios, 'Macunaíma', de Mário de
Andrade e 'Cobra
Norato', de Raul Bopp. O divisor de águas de 1930 me jogou do lado esquerdo, onde me
tenho conservado com inteira consciência e inteira razão". O movimento Pau Brasil
se deu em 1924 e o Movimento Antropofágico em 1928. Ambos tiveram a divulgação do
programa estético feito por Oswald. Filiou-se ao PCB, em 1930, após a revolução, e
rompeu com o mesmo em 1945. Continuou, porém, sendo de esquerda. Em 1931, quando dirigia
o jornal "O Homem do Povo", foi várias vezes detido. Em 1939, representou o
Brasil no Congresso dos Pen Clubes realizado na Suécia. Foi o orador do Centro Acadêmico
XI de Agosto. Prestou concurso para a cadeira de literatura brasileira na Faculdade de
Filosofia Letras e Ciências Humanas da USP com a tese "A Arcádia e a
Inconfidência". Obteve o título de livre-docente, em 1945. Oswald foi panfletário,
polemista, crítico, ensaísta, romancista, contista e poetae foi também, sem sombra de
dúvidas, uma das figuras mais desconcertantes da literatura brasileira. Sua arte, segundo
Roger Bastide, "não é uma arte de análise, mas uma arte de síntese, de
construção poética".