Álvaro Mendes 1. NA LAGOA DAS VAREJEIRAS Na Lagoa
de caldo grosso (embora
chumbo, transparente) brilha um
Cálice, atufado, até à
bôca, de Bósta dentro do
Sacrário; o Cálice esverdeado/fosforescente
vara de porcos o contemplam! (de
porcos, digo, vara de humanos), mãos
ajoelhadas e os focinhos,
roxos pênis assanhados pelas
cócegas das Varejeiras... Dentro do
Sacrário, do Cálice entufado
até à bôca, de Bósta
desprendem-se as Flores das
Fézes em anéis
gordos, em ôlhas de
hóstias que sobem devagar, liquefeitas
bolhas catarros sobem
devagar, pardas, lenta- mente
montam pelos caules das
transidas subaquáticas plantas
de raízes lívidas. irrompem
as Bôlhas de Fézes irrompem,
sem bulha, as hóstias, irrompem
as hóstias de Bósta do caldo
grosso da Lagoa do fundo
chumbo da Lagoa da Lagoa
de chumbo espesso desfazendo-se
ao lume dágua ejaculando-se
à flor dágua,
espirram nas línguas suínas dos
porcos contemplativos (dos
porcos, digo, dos humanos, suinumanos
contemplativos),
rubros pênis assanhados pelas
lambidas das Varejeiras,
espalham-se ao lume dágua da Lagoa
das Varejeiras! as
Bôlhas de Bósta, ou hóstias da
Eucaristia novíssima transubstanciada
em gás-podre, transubstanciada
no monco
exalação do novo deus! , lambuzam
as goelas-suínas (de tanto
engolir, feridas), atufam as
goelas-focinhos dos
porcos que dentro espiam da Lagoa
mesmerizada (dos
porcos, digo, dos humanos), lambendo
no muco divino, chupando,
no divino gás, o Corpo
Glorioso do deus, do
Novo deus, da humanidade nova! Vitória-régia,
hóstia divina, ôlha-gorda
de gás-muco alumiada
a Canhões de Luz! flutuando
sobre a Lagoa (a Lagoa
do Caldo Grosso!)
qual o Pneuma de Javé pairando
sobre águas antigas! hóstia
divina gás muco Eucaristia
da Bósta (dádiva
do Novo deus, do
Novo deus à humanidade Nova!),
entufa de Fézes, de Bósta, estufa de
Fézes a Bôca, entope de
Bósta a Bôca a
grande suinumana Bôca-Porca a sono
solto roncante-saciada que chupa
e vomita que chupa
e vomita gulosa de
Infinito o suco do
Infinito o monco
do Infinito da
Hóstia de Bósta e
dorme refestelada!
2. poema poemas são fermentações são cães são poemas são têm olho grave contudo não trabalham, poemas são campiões-boxeurs poemas são patas de cavalos. eu-poema dos de nada? poemas patrulham tudo: poemas são capoeiras e capoeiras
fardados são poemas são fagulhas sinistras poemas cantam
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