solteira em depoimento lúgubre
minha vida afetiva foi ficando escassa
depois rarefeita
depois rara
depois nunca.

sem ele
ele me falta
enche o imenso espaço
entre meus braços
de sua ida
suicido-me amanhã
logo pela manhã
se não achar saída

salvando o relacionamento
eu sei, meu bem,
que seu sonho era comer
uma sueca alta loura boa
finge, meu amor
fecha o olho e finge
o meu cabelo
a gente tinge.

é mesmo
eu quero um amor que dure
mas ele parece ser feito
da matéria esparsa dos calendários
alguém que me procure
mas eles parecem feitos
da matéria esquiva dos obituários
alguém que me aconteça
para eles parecem dizer
que não há quem me mereça

Leilãozinho
escambo:
meus olhos míopes
pelos seus dedos lancinantes
meus sóis de hoje
pelos seus carinhos de antes
um beijo de língua
pelo meu amor à míngua
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Ana Elisa
Ribeiro nasceu em Belo Horizonte em Agosto de 1975. formou-se em letras pela UFMG,
onde atualmente é mestranda.
Já publicou Poesinha, dentro do Projeto Poesia Orbital, B.H,
1997,
e Perversa, 2002, pela Ciência do Acidente, SP. É
professora universitária em Belo Horizonte. escrevaquerida@gmail.com.br
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