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P A Z
    Antonio Barreto

1. Excesso de noite nos olhos de uma estrela.
      Linha de luz e silêncio
      paralela à que os anjos fazem
      quando voltam pra casa.
      (Região desconhecida onde Deus faz suas orações).
     Momento interno da alma
      quando todos os sentidos perdem os sentidos.

2. Diz-se dos mísseis, das bombas e dos abrigos
      subterrâneos
      quando estão dormindo sob a terra em chamas
      e os homens se queimando
      numa guerra fria.

3. Espécie de cefaléia crônica:
       doença muito comum aos loucos, nefelibatas,
       poetas e soldados.

4. PAZ: ausência de conflitos entre pessoas míopes
                      (querendo fazer as pazes)
       e que,
       mesmo longínquas,
       possuem a humanidade bélica dos kamikases
       e a fraternidade suicida dos átomos.

5. PAZ: revelação provisória do nada absoluto,
       esperança eterna, o último fruto
       dos cogumelos do apocalipse.

6. PAZ: se houver Futuro,
       uma criança apascentando as árvores.
              Uma legião de chefes de estado
              em estado de fotossíntese.

(in Revelações do Abismo, )
 

Poeta premiadíssimo, autor de vários livros dentre eles  Sono Provisório, Ed. José“ Olympio, 1978 - Vastafala”, Ed. Scipione, S. Paulo, 1988