Tanto 
          Antonio Brasileiro
           

          ESTUDO 123

          Morei na barriga de Deus.
          Ascultei o centro do mundo, as pulsações
          dos seres vivos, mortos e incriados.
          Uma dor enorme encheu-me o peito:
          ó saber-se Deus e não ter forças!
          (Residi no abdômem do divino
          trinta anos.) Pus meu ouvido no alfa
          e no ômega: vi o princípio
          e o fim vezes sem conta.
          Tudo começa e morre e recomeça
          e morre e recomeça. O incriado
          vi: estrela fútil - fósforo
          que se acende num estádio de futebol.
          (Porque morei no bucho do perfeito.)
          E vi o universo morrer e vi seus ossos:
          escuro no escuro maior, cão no silêncio.
          A tudo vi e meditei e clamo:
          ó saber-se divino e ser só homem!

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