Foto: Tuti Maioli

pOeMaS de
Artur Gomes


Injúria secreta

suassuna no teu corpo
couro de cor compadecida
ariano sábio e louco
inaugura em mim a vida
pedra de reino no riacho
gumes de atalhos na pedreira
menina dos brincos de pérola
palavra acesa na fogueira
pós os ismos tudo é pós
na pele ou nas aranhas
na carne ou nos lençóis
no palco ou no cinema
o que procuro na palavras
é clara quando não é gema

até furar os meus olhos
com alguma cascata de luz
devassa quando em mim transcende
a lamparina que acende
e transforma em mel o que era pus

 


20 de fevereiro 

fosse quântico esse dia 
calmo 
claro 
intenso 
inteiro 
20 de fevereiro 
sendo assim esperaria 
 
mesmo que em meio a tarde 
tempestades trovoadas 
insanidades 
guerras frias 
iniqüidade 
angústia  
agonia 
mesmo assim esperaria 
 
20 horas 
20 noites 
20 anos 
20 dias 
até quando esperaria? 
 
até que alguém percebesse 
que mesmo matando o amor 
o amor não morreria 


inconfidência mineira*
velhos temas re/visitados e outros novos re/INventados

num tempo em que fui de minas
entre montanhas e rimas
entre os jardins e currais
forjado a ferro os canteiros
cecília e seu romanceiro
escorrem seus dedos longos
nos versos tristes que inventa
como uma outra cecília
sobre nomes também eu invento

diante do espelho linda e nua
enquanto língua pele e lua
pelo bico dos teus seios
saliva nos teus fluxos
como o cheiro dos teus flexos
quando despida em teu amor
o amor despido é nosso sexo
cecília goza pelas costas
e por todos os continentes

sendo rio se encharca pelas frentes

quando mar transborda nas encostas

quando cravo as unhas rente

nos teus flancos frente e verso

nos papéis o testamento

escorrem teus dedos longos

em tristes outros pensamentos

os re/versos de cecília
no espelho também re/invento


fala palavra fala 

fala palavra fala 
falasse fruta fel falar felada fome 
fala fervura falo fogo falo festa 
fala palavra fala fela 
fala cidade fala favela 
rio de janeiro 
fevereiro carnaval 
fala chacal 
fala mangueira portela 
muito prazer  teu poema fala 
fala poeta que a palavra parte 
fala palavra arte 
salta da pedra da gávea 
pra dentro do teu poema 
fala cabloco tupi 
flecha de fogo tupã

curumim de ipanema 
fala poema novo 
de dentro da casca do ovo 
fala carioca da gema 

artur gomes

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http://almadepoeta.com/fulinaima.htm