Injúria secreta
suassuna no teu corpo
couro de cor compadecida
ariano sábio e louco
inaugura em mim a vida
pedra de reino no riacho
gumes de atalhos na pedreira
menina dos brincos de pérola
palavra acesa na fogueira
pós os ismos tudo é pós
na pele ou nas aranhas
na carne ou nos lençóis
no palco ou no cinema
o que procuro na palavras
é clara quando não é gema
até furar os meus olhos
com alguma cascata de luz
devassa quando em mim transcende
a lamparina que acende
e transforma em mel o que era pus
20 de fevereiro
fosse quântico esse dia
calmo
claro
intenso
inteiro
20 de fevereiro
sendo assim esperaria
mesmo que em meio a tarde
tempestades trovoadas
insanidades
guerras frias
iniqüidade
angústia
agonia
mesmo assim esperaria
20 horas
20 noites
20 anos
20 dias
até quando esperaria?
até que alguém percebesse
que mesmo matando o amor
o amor não morreria
inconfidência mineira*
velhos temas re/visitados e outros novos re/INventados
num tempo em que fui de minas
entre montanhas e rimas
entre os jardins e currais
forjado a ferro os canteiros
cecília e seu romanceiro
escorrem seus dedos longos
nos versos tristes que inventa
como uma outra cecília
sobre nomes também eu invento
diante do espelho linda e nua
enquanto língua pele e lua
pelo bico dos teus seios
saliva nos teus fluxos
como o cheiro dos teus flexos
quando despida em teu amor
o amor despido é nosso sexo
cecília goza pelas costas
e por todos os continentes
sendo rio se encharca pelas frentes
quando mar transborda nas encostas
quando cravo as unhas rente
nos teus flancos frente e verso
nos papéis o testamento
escorrem teus dedos longos
em tristes outros pensamentos
os re/versos de cecília
no espelho também re/invento
fala palavra fala
fala palavra fala
falasse fruta fel falar felada fome
fala fervura falo fogo falo festa
fala palavra fala fela
fala cidade fala favela
rio de janeiro
fevereiro carnaval
fala chacal
fala mangueira portela
muito prazer teu poema fala
fala poeta que a palavra parte
fala palavra arte
salta da pedra da gávea
pra dentro do teu poema
fala cabloco tupi
flecha de fogo tupã
curumim de ipanema
fala poema novo
de dentro da casca do ovo
fala carioca da gema
artur gomes
http://arturgumes.zip.net
http://almadepoeta.com/fulinaima.htm