Tu és a tentação que me desfolha
soprando-me mais, quanto mais
me faço nua e verde;
sou teu grão,
sou a vagem de lirismo
que tu abres e debulhas,
estranho terço com que teces danças
e lanças sortilégios.
Confusas rezas, ritos difusos,
infusões de sinfonias compões para mim,
supondo-me assim tal como te espero,
macia e nacarada,
prenda branda
como se fosses vento de verso,
tu és incenso, centelha que me ateia asas
e desata o acaso em destino
e me estira... e um acento de ternura
toma fôlego nos meus esconderijos
rijos e renovados;
mesmo que eu,
da espécie dos que enfiam os olhos
no fundo da vida
(onde se abre outro fundo),
tenha de trazer, como amuleto
o olhar ferido ou inquieto.
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