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SALAMANDRA

CARMEM VASCONCELOS


Depois do ímpeto das labaredas,
quando já se distancia o tropel de raios,
entre sílabas carbonizadas
e vogais expostas ao extravio dos vapores;
recolho em meu corpo,
clareira de oscilações,
um resto de palavras retorcidas.
A tua alma de sal
levita sobre estes versos.
Ela tem a recorrência de um fantasma sem reza.
Reuno a doçura ainda possível em mim,
empilho parábolas,
componho nevoeiros,
tracejo ideogramas com cinza
para proteger teu nome
e para que as minhas mãos
não se embebam da tua cor,
sempre fugidia,
sempre na direção escancarada do abismo.

 

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