"Nasci aqui mesmo no Rio de Janeiro, três
meses depois da morte de meu pai, e perdi minha mãe antes dos três anos. Essas e outras
mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo
tempo, me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a Morte que docemente aprendi
essas relações entre o Efêmero e o Eterno.
(...) Em toda a vida, nunca me esforcei por ganhar nem me espantei por perder. A noção
ou o sentimento da transitoriedade de tudo é o fundamento mesmo da minha
personalidade".
(...) Minha infância de menina sozinha deu-me duas coisas que parecem negativas, e foram
sempre positivas para mim: silêncio e solidão. Essa foi sempre a área de minha vida.
Área mágica, onde os caleidoscópios inventaram fabulosos mundos geométricos, onde os
relógios revelaram o segredo do seu mecanismo, e as bonecas o jogo do seu olhar. Mais
tarde foi nessa área que os livros se abriram, e
deixaram sair suas realidades e seus sonhos, em combinação tão harmoniosa que até hoje
não compreendo como se possa estabelecer uma separação entre essesdois tempos de vida,
unidos como os fios de um pano".
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