a la vonté
vida, um écran
keep walking, be a partner
ariano suassuna
sussura
wally salomão
um leão
cheio de mãos
adriana calcanhoto
calcanhar, inevitável rima
sutiã
rã
escrevo
o que penso
se travar a língua
não sai rima imperfeita
fica tudo muito de direita
me irrita
falsa sabedoria
pedantes, pés atrás
quiçás podo o temor
nada escrevo de amor
penso na dor que deveras sinto
que deveras pessoa sou
quando vejo em pessoa, minha pessoa
ver tudo tão não pessoa, sendo tão pessoa
que impessoal
improvável?
mundo se encher de poetas
siris, siriemas, emas
poemas
fecundariam, brotariam
sem rima, com rima
sem gosto, com gosto
todo o mudo apareceria
disfarçado entre umas escritas e outras
aumentaríamos olhos
vendo desova de novas palavras
advindas das
centenas de milhões de léxicos
gerados de cada canto do planeta
e siriemassiris nasceriam
íris cor de mel
caetano
joão goulart
goulash
prato
passo minhas coisas a limpo
espanto o patatá do pititi do potoquó
quero virar vogais, entortar consoantes
dispenso coerência, linha de raciocínio
óleo de rícino, rio do rio
gosto do rio
de janeiro a dezembro
embrulho
o u
é feio, sozinho
nietzche se diz nitchi
prefiro essa pronúncia,
que ler zaraz........truta
truta, tra
tru, olha o u, de novo
invadindo meu espaço
intento, lamento
mas não ponho u agora
vê se cai fora
gosto é do a
achar
abóbora
a de amar
acho brega,
coisa de babá
e até mela
meia boca
caçar amor
com tanta poesia
posso tudo
beijing, beijar
umbigo, um beijo
te espero
sem lero
sed alguém
que mata minha sede
senão vou ver a ana
grama
amor em roma,
senão vou com omar passear
pertinho do mar
ar,
preciso
respirar mar
e
não mais te amar
usu sen abusu
apenas conjuntura,
todas essas gustusuras
tudo juntura
lambuza, abusa, suja
thus, um dia
disconecttion
desconjuntada fico
toda usada, abusada,
com essas rompidas disfarçadas,
supostamente desautorizada
most spetacular 4 u,
not 4 mi
disparates, me trates com compustura
custura logo
teu cunhado ti procura
vai logo
não engulo seu tipo de amostra
mostra o médico, és monstro
sinistro teu sadismo
cheio de dedos, muitos ismos, mutismo
perfeccionismo, narcisismo, autoritarismo
pedante, dantes tudo muito melhor
raro não errar no amar
sem máscara, sem nois na chácara
duo, sol, solo, sombra
sol, sola, avanti
detesto fazer poesia de amor rompido
mas faço, senão enrrugo o pensamento
expurgo seu instinto em me fazer infeliz
toco uma viola
dou prus outru tua vitrola
encerada, não és nada camarada
cami riar, sorria
mas não ria da minha idiotia
Clara Canabrava tem 33 anos, é poeta desde
sempre.
claracanabrava@terra.com.br
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