Conheci
o prof. Delson em 1978, ele professor já maduro, eu um garoto de 19 anos, aspirante a poeta. Com ele tomei conhecimento de
muitos escritores que
seriam fundamentais na minha formação OS
VERDES "Todos nós somos rapazes muito capazes de ir ver de Ford Verde os ases de Cataguases" Marioswald-Verde A VERDE, revista mensal de arte e cultura, durou apenas seis números, de setembro de 1927 a maio de 1929. "Somos novos. E viemos (sic) pregar as as idéias novas da Nova Arte. E só. E está acabado. (VERDE n.1, pag.1) O quinto número é de janeiro de 1928 e encerra a primeira fase da revista: este número da Verdesaiu em vermelho... Junto com terceiro número da revista saiu também um volante verde, com o Manisfesto do Grupo Verde (novembro de 1927). O próprio Rosário Fusco me revelaria mais tarde : -- "Bolado pelo Ascânio, com besteiras do Enrique e palpites meus". Mario de Andrade grande amigo e incentivador, espinafrou: "Quanto ao Manifesto de fato está besta a valer. Só valeu aquele pedacinho apaixonado em que vocês juram trabalhar pela Verde. Achei aquilo de uma lindeza extraordinária. Gozei como o Diabo". (carta a Rosário Fusco, 23/12/1927) O último número da Verde (primeiro e único de uma segunda fase) saiu em maio de 1929. Ascânio morrera em janeiro, com 23 anos incompletos. O poeta Francisco Marcelo Cabral, editor da revista Meia-Pataca, conterrâneo e da mesma geração dos verdes, escreveu belamente: "Ascânio morria de riqueza interior e física". Esse número final da Verde mudou completamente o seu rosto e apareceu de tarja preta in memórian do saudoso companheiro. Seria emoção? Pressa? Na capa, debaixo do nome ASCÂNIO, com um pequeno engano nas datas de nascimento e morte do poeta de noivinha imaginária. Assim nasceu e se espalhou pelo Brasil e no estrangeiro (graças ao dinamismo de Rosário Fusco, verdadeiro relações públicas da revista) e morreu a VERDE. Porque o grupo perdeu Acânio, seu poeta-maior, os companheiros tiveram sua pequena diáspora para o Rio e Belo Horizonte. Ascânio morreu e com ele morreu a Verde. O número de maio é póstumo. Foi editado in memórian do companheiro morto. A Verde foi uma revista ágil, bem impressa, variada e com numerosa colaboração nacional e estrangeira. Informativa, com curiosa propaganda do comércio e indútria da cidade. Publicava poemas, crítica literária e rescenção de livros. Apresentou-se bem mais arrumada que sua conterrânea mais velha A REVISTA, de Carlos Drummond de Andrade (em 1978, patrocinada pela METALEVE, ambas tiveram uma edição facsimilada). A Verde teve muita repercussão, andou pelo Brasil de Sul a Norte, recebeu elogios e críticas, deu seu recado, cumpriu sua tarefa e projetou Cataguases e seu grupo de escritores para o Brasil e... para o mundo. "Verde tem suas páginas abertas a todos os novos do Brasil e do mundo" Verde, n. 1. "Ele (Ascânio) , os outros meninos da Verde e Humberto Mauro fizeram da cidade uma pioneira artística de Minas." ( Pedro Nava, in Beira-Mar). Sobre a Verde , escreveu Wilson Martins: "Não é preciso mais para concluir que o Grupo Verde tem sido superestimado pelo tratadista do modernismo." ( História da Inteligência Brasileira, Cultrix, 1977) Já Temístocles Linhares escreveu: "O único grupo que se destacou sob prisma regional, se não estou enganado, foi o dos rapazes de Cataguases". Já meu amigo verde Francisco Inácio Peixoto fez uma autocrítica: "A VERDE não foi, a bem dizer, uma experiência: antes o resultado de inexperiência de jovens fogosos dados ao vício impune e que pretendiam haver compreendido e assimilado as proposições dos que fizeram a Semana de Arte Moderna de 22, vindo até eles quando eram ainda, quase todos, ginasianos que discursavam inconsequentemente no Grêmio Literário Machado de Assis",( Totem, 1975). Blaise Cendras cumprimentou num poeminha "aux jeunes gens de Cataguases" e que abre o seu livro de poesia completa: DU MONDE ENTIER AU COER DU MONDE" - 1957. Dos registros históricos relacionados à revista dois merecem destaque: a edição facsimilada da METALEVE, e o curta-metragem Os Verdes Anos, de Paulo Augusto Gomes. Ambos lançados na mesmo época, 1978, em Belo Horizonte. A edição facsimilada possui seis números originais mais um sétimo com apresentação do patrocinador e três estudos de bom conteúdo sobre a revista. Guilhermino César faz uma pequena e segura biografia da revista e do grupo. Seguindo-se os de Cecília Lara e Augusto de Campos. Já no curta OS VERDES ANOS, nota-se que Paulo Augusto Gomes soube ler com carinho o movimento, visitou a cidade, sentiu os acontecimentos e recordações, impregnou-se da alma de Cataguases e dos Verdes. Criando um filme onde se juntam interpretação correta, colorido suave, texto preciso, a presença de Francisco Inácio Peixoto, falando da Verde e Joaquim Branco falando dos verdes de hoje. A paisagem, o verde, o rio Pomba andando largo e lento e sonolento, o Meia-Pataca, a ponte metálica.Cataguases revisitada. Aí também o desenho sugestivo e de beleza ingênua, retrato da cidadezinha, seu morro, o rio , o trem de ferro, a igreja, a ponte... que Rosário Fusco fez em nanquim para a capa do livro de poemas MEIA-PATACA, de Guilhermino César e Francisco Inácio Peixoto. "Eu fazia cinema, os verdes faziam literatura". (Humberto Mauro). Sete décadas depois, o verdes estão todos mortos. Viraram nome de rua. O rio continua correndo, vagaroso. E o tempo vai passando. Mas ficou de tudo, de todos, uma marca, um poema, um verso, o testemunho de uma geração. * Delson Gonçalves Ferreira é professor de
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