WimWenders:Cuba, si !!! Maria Emília Firmino,
de Rennes, França
Desde 1997 que alguns músicos cubanos são
ovacionados na Europa.
BUENA VISTA SOCIAL CLUB, o filme de Wim Wenders, colocou em imagens estes
fantasmas
magníficos, ressuscitados de uma terra onde as vitórias
revolucionárias sempre terminavam em música.
Eles se chamam Ibrahim Ferrer (o mais jovem do grupo, com 72 anos),
Rúben González, Company Segundo,
Pyo Leyva, Eliades Ochoa. Eles cantam antigas canções
populares: o SON, ritmo que vem dos agricultores
orientais, ou a RUMBA, dança da época dos escravos
africanos que se desenvolveu na zonas portuárias.
Eles também cantam o amor em seus românticos boleros
espanhois.
Este músicos são arquivos vivos. Atingiram
a celebridade a mais de 50 anos, antes da revolução castrista
e
foram esquecidos. Mesmo sendo considerados pelo estado cubano como
"patrimônio nacional", se
transformaram em sapateiros ou engraxates, passaram necessidades mas
conseguiram sobreviver. Sem dúvida
eles têm esta coisa na voz ou na relação com o
instrumento, esta energia interior que em espanhol se chama o
DUENDE, e que pode ser traduzido pelo dom, o charme,
o encantamento.
DUENDE significa também espírito velho, espírito
do velho.
Para fazer reviver estes espíritos velhos, o entusiasmo e o
encontro de alguns artistas, principalmente o
ator Andy Garcia e o guitarrista Ry Cooder, foram determinantes.
Ry cooder gosta de música cubana - uma ciência
natural da harmonia e melodia. Um conjunto enorme e
diverso de estilos musicais compactados em um quarto de século
de história e de mistura; uma simplicidade e
graça que não se encontram mais na pesada e depressiva
produção musical ocidental. Em resumo, a idade
de ouro da música, da qual são os últimos heróis.
De Berlim a Lisboa, sabemos que Wim Wenders sabe
filmar as cidades, e ele soube olhar la Havana.
Sobretudo soube manter uma boa distância com os personagens,
soube escutar suas confidências e se
fazer esquecer para registrar alguns inesquecíveis momentos
de graça. A grande emoção que estes sobreviventes
nos faz viver desperta em nós os fantasmas da juventude eterna,
de uma cultura pura, da revolução e da
resistência aos USA. Acrescentados a eles, a atmosfera
tropical e a beleza especial desta capital cheia
de charme e calor, explicam de certa forma o sucesso do filme nos ditos
países desenvolvidos.
Na verdade o filme não nos fala de Cuba, mas dos sonhos que
Cuba gera em cada pessoa.
Wenders classifica seu filme de MUSICOMENTÁRIO.
A montagem é um contraponto de entrevistas
de cenas no estúdio, na rua e durante dois concertos realizados
em Amsterdam e Nova York.
A história do filme é antes de tudo
a história de discos e da paixão de Ry Cooder pela
música de Cuba, que
ele descobriu quando fez sua primeira viagem à ilha em 1977.
Em 1995 quando ele desembarca em Cuba,
desta vez sob a responsabilidade do label inglês WORD CIRCUIT,
e grava com os músicos de lá, em duas
semanas, ao ritmo de 12, 13 horas por dia, (e muito rhum...) o suficiente
para fazer três discos. O primeiro,
BUENA VISTA SOCIAL CLUB, seria recompensado com o Grammy Award, vendendo
mais de um milhão
de cópias em todo o mundo! Os outros dois discos são
consagrados a Rubén Gonzalez e aos AFRO CUBANOS ALL STAR. No estúdio,
os músicos estão cara a cara, a câmera os envelopa
num movimento
circular, fazendo-os únicos no mundo.
A partir destas gravações e da relação
estreita que ele tem com o realizador de PARIS TEXAS, o caminho
foi curto para que Wenders se apaixone também e tenha vontade
de filmar em Cuba para, com imagens,
tarduzir o grande talento e beleza destes músicos e da música
que eles reperesentam.
Para deleite de todos disco e filme são complemantares
e fonte de extremo prazer.