Tanto
O
caçador de abstratos
Magela
no digital. Diz a crítica: ( Cago. Ando. Cago ) ela está melhor. O telefone mudo. A voz muda. Estamos todos meio afônicos. Síndrome de bossa nova. Somos todos infelizes, disse Machado em suas memórias póstumas. Um grupo inglês sombrio à luz do dia. Pós modernos nos postamos melancólicos. Cotidianamente rezo um rosário de tesões. Sheilas quase nuas num out-door. Estou sempre aflito. Me grito. Me calo. ( Falo ). Desesperado. Acho que vou destruir algo. Talvez todos os meus escritos. Lírico abandonado. Romântico desinspirado. A rima foi um simples acaso. Detesto rimas. Detesto vídeo games. Detesto alguns sites na internet. Detesto tudo aquilo que não sei manusear. Por isto este barco à deriva? Por isto esta raiva absurda? Somos todos absurdos, disse Beckett antes de Malone morrer. Esperamos por Godot. Mas quem aparece é Godard. Diz a crítica: ( Cago. Ando. Cago ) ele está pior. Cotidianamente crio um rosário de caos. Objetos. Ereções. Angulações concretas. Retas. David Byrne toca samba. As luzes da cidade me apavoram. Prefiro a tranquilidade grotesca das trevas. O olhar opaco de um Borges. João Cabral de Melo Neto levou para o escuro eterno a sua visão periférica. Memórias do presente um minuto atrás. O passado um segundo à frente. Um poema que parte o vidro. É disto que eu preciso. Não é nada disso. Parte- se o tempo. Somos todos frios, diz um escritor eurocomunista em extinção. Estamos fervendo. Ficando loucos. Globalizando-se. Estamos assim há vários anos. Talvez seja este o nosso prazer. Buscamos a forma. Desistimos da fama. O conteúdo, mesmo que seja em vão. Egos com creme de leite nacional. Os homens se tornam cyborgs. Mas sempre terão alma. Ou então uma arma. Já que tudo é tão concreto. Sempre. Tudo indica que continuaremos em fuga. Blade Runner caça agora os abstratos. |