Tanto
Iacyr
Anderson Freitas
o inverno quer ficar contigo
nesse jardim
onde um velho dorme.
ainda não são seis horas
e a nuvem
que agora te acusava
some no azul, desfeita
por teu brilho
que envelhece,
é certo,
sem o alarde
dos ventos mesmos
de outrora.
o que procura estar contigo
não te envolve:
espera, agudo, nesse jardim
inaugural
entre formigas,
jornais
e o que resta de setembro.
vives uma infância transitória
e teus cabelos cingem,
na cintura, o esboço
de um adeus
que a tua própria ausência configura.
SOLITUDE
Iacyr Anderson Freitas
da infância não chegam postais
apenas algas
e um certo odor de nuvem
que o vento dissimula.
alguém discorre o dilúvio.
o telégrafo fecha-se.
diverso fez-se o exercício da aurora,
ornada por um sol de pobres.
de algum país
chegam as convocatórias
mas já não basta estar entre os nautas
para sobreviver
(o que foi o amor
não nos escolta).
ficamos sós,
com o dia a se esvair
no fumo.
dia espesso, espesso,
em que ainda não é possível minerar.
NO JARDIM/ XX
Iacyr Anderson Freitas
foi o dia
com sua coluna
e seu cacto?
foi a nuvem?
ou será essa ausência
essa dor de coisa gasta
que se esgarça no sono
e passa?