B. Horizonte, 1999 ) A piscina tem a profundidade das minhas questões. Fico um longo tempo, ali, de um lado para o outro encharcando os pensamentos. Completo quilômetros de raciocínio e novamente a dúvida, o questionamento reidratado. A resposta no fundo das águas, todas as águas que me ensopam, empoçadas ali naquela piscina. A piscina não tem fundo. Lá, a angústia colore-se de um azul mais forte que azuleja ansiedades ,onde a água se turva por cusa dos olhos abertos tentando as respostas. Todas as questões se turvam depois de muitos metros de olhos. As questões têm muito cloro. Ninguém sabe que aos mil metros eu choro. E que depois faço xixi. A piscina tem as minhas questões, por isso eu mijo nela. Talvez eu devesse nadar para melhorar meu tempo, como antigamente, na época em que eu era nadadora da equipe do clube da minha cidade. Mas meu tempo nunca melhorou. Aconteceu de o cronômetro ceder segundos, mas tudo ainda permanecia nebuloso. Talvez eu devesse me preocupar com minha resitência, mas é que quanto mais resisto, mais resistir se faz necessário, como quisessem saber até onde sou capaz de nadar. Essas águas tem muita personalidade. Para que eu me imponha, às vezes, sou obrigada aos murros e pontapés. Depois, fico dóci l e conquistada, como se fora domesticada mesmo, e passo aos abraços. Amo essa piscina que eventualmente, odeio. A piscina tem a profundidade das minhas questões. O fundo da piscina é meu espelho. Na verdade a piscina não tem fundo. Eu nunca nadei ali. E como se eu não existisse, chamaram por essa minha forma de inexistência, essa insignificância comunicante, e eu respondi. Sempre me manifesto com a minha inexpressão. - Bárbara. Parei de nadar . Intelectualmente, agradeci pelo elogio e depois atendi a nomeação adjetiva, duplamente qualificante, por isso também quase me agredindo quem me chamava. Era isso, eu me igualava na incongruência de mim mesma. O sinônimo dos contrários |
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