de minha parte
de minha parteJoão Evangelista Rodrigues
prefiro escritores sem papeldesses que no vazio
reescrevem o caos
sobrenadam oceanos adormecidos
subvertemescritores de coisa nenhuma
de desimportâncias humilhadas
em estado de decomposiçãoárvores apodrecidas
no interior das dunas
máquinas enferrujadas
sucatas
letras
mapas imemoriais cidadesescritores de vidro
escritores desescritos
por outros escritórios
escritores proscritos
sem igrejas nem oratóriosnem mineiros nem maiores
sem letreiros apriores
sem livros
nem prolaboresdesses que ao léu
em luas sem alma se repetem
pelos corredores
entre os desconstrutores de Babel
escritores virtuais
aleatóriosde minha parte
prefiro escritores sem papel
João Evangelista Rodrigues
poema (s/título)
os de 45
declaram guerra
aos de 22
os concretos
atiram pedra
contra os de 45
todos atiram merda
contra todos
contra tudo
o que vem após
nem de longe
espiam pela janela
a lua parnasiana
o signo da poesia pisca
entre neon e nada
a mesma letra escrita
a mesma letra escusa
a mesma letra escassa
a mesma luta insana
clava tupiniquim
a roupa suja
o varal da esquina
o marketing
em sangue
marginal floresta
a luta não termina
entre mortos e feridos
seja o que o leitor quiser
ninguém se salva
salve-se quem puder
Mineiro de Arcos, João Evangelista Rodrigues é jornalista, fotógrafo, poeta e
compositor, parceiro de Pereira da Viola, Paulinho Pedra Azul, Rubinho do Vale,
Teo Azevedo e outros. Hoje é diretor do Sindicato dos Jornalista Profissionais de
Minas Gerais. Publicou os livros "O Avesso da Pedra", "Mutação
dos Barcos" e
"A Oeste das Letras".