Na sala da minha casa tenho uma tela com temática
bem caipira: a sagrada família. Sabe o que vemos nesta tela pintada em estilo bem
acadêmico? Nela você verá uma galinha preta abrigando sob as suas asas os seus cinco
pintinhos e , ao lado, um robusto galo vermelho (provavelmente o pai desta sagrada
família). Os que lêem os meus escritos devem pensar que eu esteja construindo mais um
estilo hard- radical, mas muito se enganam com tal pressuposição. Não passo de um
conservador proustiano e flaubertiano que adora o cheiro de naftalinas e de Vick Vapo Rub
e, ainda, coleciono relíquias e tesouros do passado e vejo a Contemporaneidade
com assombro pré-fúnebre,vejo o presente como um vasto salão para um efêmero baile de
máscaras (caleidoscópicas) para as nossas frívolas diversões de náufragos no oceano
atemporal da História. Diversões que nos desviem dos nossos fantasmas e pesadelos
pós-morte. Nada além!... (17 e 18 de Junho de 2002). Cada vez mais recorro ao Websters.
Será uma ferramenta indispensável aos sobreviventes deste nosso mundo, creio. (...) Acho
também que todos nós que usamos a rede mundial de
computadores somos agentes da globalização. (...) Não existe nem existirá um salvador
da Pátria e todos os tipos de Sassá Mutemas, mais dias menos dias, serão desmascarados
e desmoralizados. (...) "Cem pessoas comuns podem ser substituídas pôr uma
máquina, mas nenhuma máquina pode substituir uma pessoa criativa."(frase escrita
atrás de uma poltrona do ônibus Presidente Dutra Ribeirão Preto/ SP /Brasil).
(...) "A arte não reproduz o visível, mas torna visível."(Paul Klee). Todo
relato é uma interpretação. A interpretação nasce com a descrição. O cinema, à
meia luz, é a janela do espírito de um tempo (não-hegeliano) no qual as imagens vigoram
como portadoras de sentido, me diz Paulo Menezes. Que acrescenta: "...se queremos um
mundo diferente, temos que perceber até onde vai a nossa capacidade de ver diferentemente
as coisas que fazemos... de sermos diferentes do que sempre fomos e de agirmos
diferentemente do que sempre fizemos até hoje. Confira: MENEZES, Paulo À meia luz
Cinema e Sexualidade nos anos 70 São Paulo Editora 34 2001
página 11. Fotografar é descrever penetrantemente. Sexualidade:
instância extrema e ilimitante do onthos humano. (...) Eu não sou tucano não!... Pra
viver tão desprezado!... (...) Eu estou saturado com tanto estresse!... Estou
entusiasmado em meio a tantas antiguidades!... Pedaços desconexos do passado se
presentificam descontextuados. O tatuado fugiu. Imagens incessantes ocultam-nos os seus
significados. Nada como um pequeno desastre para arrumar as coisas!... Indícios de
paralelismos entre distintos universos faciais. Face to face: stand by me!... Seria
possível esculpir o tempo? Sou um fotógrafo. Vivemos uma história perdida. Os
significados devem sempre brotar de nós mesmos. Não basta saber para onde olhar. É
necessário reinterpretar o que se olha."O pensamento se apresenta quando
"ele" quer, e não quando "eu quero."" _ F. Nietzche. O tempo nos
corrompe... O tempo se corrompe. Alguém me disse que tu amas novamente(...). Os udenistas
(como os atuais partidos oposicionistas brasileiros) eram denuncistas. O Partido dos
Trabalhadores adotou em muitos períodos o denuncismo como procedimento político
parlamentar típico em sua atuação nacional, estadual e local e insistiram na
instalação de inúmeras Comissões Parlamentares de Inquérito. CPIs para tudo!... Mas,
quando se trata de investigar o que se passou ou o que ocorre em seus governos, os
petistas reagem contra o denuncismo dos situacionistas Serristas!... Dá para entender uma
coisa desta? (...) A intuição parece se processar antes do olhar, do ver. A coisa pode
(ou não) confirmar a imagem. Pode ou não confirmar a sua veracidade. Um encontro real
pode (ou não) confirmar o digitado e virtualmente desejado. O mundo pode ser uma
sucessão de eventos emaranhados e de informações desconcatenadas, desordenadas,
inapreensíveis e desencadeadoras deteleológicas convicções, visões, incertezas,
dúvidas e mistérios. Uma superposição contínua de camadas, de expressões, de
significados, de máscaras e de névoas, nuvens e eclipses. Luzes, paisagens, sombras,
áreas ocultas, noites e imaginações. Um grande todo concomitante com um grande nada. Um
calvário de nadas. Os indícios incontornáveis da ausência do "real" nos
induz auma fome de imagens conceituais, constatáveis ou paradigmáticas. Vivemos em meio
a uma aprofundante naturalização das imagens (no filme Blow- Up de Antonioni e em nosso
mundo contemporâneo). Verdades não convincentes. Insistentes derrapadas.
Caminhos interruptos. Corrupções múltiplas. Infinitas elisões e erosões.
O fim da fronteira entre o "real" e o "imaginário". Comunicação
não implica sempre em compreensão. Blow Up é ampliar com nitidez a
eclosão/explosão de um evento/ fato a nós oculto ou opaco ou pouco nítido. "Todas
as guerras começam no imaginário."
(Paul Viríio).
Laranja mecânica.
A criação do novo pode ser também uma recriação
do velho e o resgate ou a retomada do velho pode nos incitar a um outro tipo de
reinvenção do futuro. As duas vias aqui supostas têm sido concomitantes na
pós-modernidade. O futuro nunca destrói o passado. O lixo espalhado pelas nossas ruas e
praças pode ser a expressão dos nossos conflitos ao longo dos nossos insatisfatórios
processos de produção e de consumo. Bem como a revelação da nossa nostálgica
incapacidade de lidar com os restos dos nossos passados.
Um imenso sutiã pendurado no corrimão da escada me relembra o relógio de Salvador Dali
derretendo-se num varal estendido numa paisagem desértica. O passado como um painel de
múltiplos e simultâneos tempos!... E as nossas paisagens e cenários trituram e misturam
desconexamente coisas e lugares, tempos, mitos e significativos fragmentos afetivos de
tempos e espaços. Como no filme Retratos da vida de Claude Lelouch!... O futuro como um
engenho desdobrador caleidoscópico do presente observado por métodos cada vez mais
aleatórios, caóticos, irônicos e perigosamente lúdicos. Um futuro do impreciso, do
impretérito. Uma voragem violenta e ancestralmente violenta sempre nos sacudiu. Um
estupro ao som de Singing in the Rain. A violência em si pela violência em si consuma
uma bagunça ideológica global. A nódoa azul é a área de conversão do
"real" em "imaginário" ou vice-versa. Uma forma de violência é mais
questionável do que outra? Cristos nus dançam em uníssono, com seus punhos
direitoslevantados e fechados, numa das paredes do meu apartamento hospitalar. Trombetas
ecoam num quarto vazio. A seguir, cenas de uma tourada sexual e um forte cheiro de sebo
bovino. Um seio materno pendurado num varal de um inesquecível quintal da minha
infância. Um seio materno fofo, esponjoso e emborrachado. Ouçamos agora a Nona Sinfonia
de Ludwig van Beethoven enquantomrevemos os aparatosos desfiles de Adolf Hitler e suas
tropas. (...) A máquina de escrever renasce das cinzas, qual uma Fênix!... O potencial
questionador (e violador/violento) das nossas sexualidades nunca angelicais me atordoa, me
faz insaciável. Um pênis/punhal pode matar.
Morte em Veneza.
Uma obra de arte nasce de uma aflição divina. O
pecaminoso alimenta a geniosidade. Deus é sutil e friamente cínico. O belo é
demoníaco. Os grandes artistas são doentes e corrompidos. A aflição é uma situação
criadora, uma contingência pré-estética e trágica!... "Eu herdei dois dos mais
perigosos inimigos da humanidade: a tísica e a insanidade. Doença loucura e morte foram
os anjos negros ao lado de meu berço."(Edward Munch Words and Images -
Londres Thames and Hudson 1989 página 50).
Ouvindo a Quinta Sinfonia de Mahler começo a enxergar, no horizonte que volteia a baia de
San Sebastian, na província basca, umantigo navio a vapor. Uma imensidão azul vem atrás
deste lento navio e, nela, saímos do "real" e buscamos imagens que nos revelem
a paisagem que o tempo esculpe além do crepúsculo, da discrição e da emoção que se
consuma ao longo de um crepúsculoavermelhado e sem presságios, sem perspectivas. Por
detrás das nuvens do entardecer a aflição terminal que precede meia existência de
trevas, a metade arenosa e estéril de uma cronométrica ampulheta. Uma aflição que nos
dá a sensação de uma lentidão universal tal que pensamos que nada se passa enquanto
ocorre um big-bang!... O que não é inesgotável? Nostalgia é descrença no progresso e
uma tentativa de enevoar o presente desencanto. Um encobrimento da realidade por uma
fictícia e
seletiva reconstituição do passado. A nostalgia é uma dor que não passa, uma
devastadora incerteza motivada pelos contornos efêmeros das atualidades. O cinema (no
eterno retorno dos tempos, das cenas, dos eventos e das suas imagens e sonoridades) é, em
si, uma arte nostálgica. Já o disse o cineasta russo Andrei Tarkovski (falecido nos anos
80 do século XX). Nostalgia também é a
mais profunda consciência da irreversibilidade e da nossa eterna condição de exilados
no tempo e no espaço. Boemia, aqui me tens de regresso! E, suplicando, eu lhe peço a tua
nobre atenção!... Nossa finitude torna concreta a transitoriedade radical de nossas
vidas de exilados no tempo e no espaço. Nostalgia é a consciência sobre os contrastes
entre tempos (passados/ presentes e futuros) e espaços (aqui, acolá, lá, além, aquém,
antes, depois, em meio, etc.). Partindo, ficando ou voltando, nunca estamos livres da
nostalgia. É a simultânea ausência e presença de um ser/ star/estar deslocado/
deslocada e ou paralelo/paralela aos fluxos,congestionamentos, impasses e acelerações
existenciais e ontológicas. Inexoravelmente e sempre (como ocorre com as
nossasinfâncias) perdemos nossas aldeias natais e caímos na irreversível condição de
exilado. A terra natal, mais dias menos dias, vira terra estrangeira.
O que passou passou e o que fizemos está feito: tudo é irreversível e irrevogável.
Se olharmos para trás viramos estátuas de sal e nos fragmentamos em trilhões de
partículas salgadas. A nostalgia nos dissolve melancolicamente. O exílio dentrode si
mesmo é a própria melancolia "spleen" (falta de alegria de viver). Uma
desnorteada errância. A barata/personagem principal da clássica novela Metamorfose de
Franz Kafka. As galinhas são animais pré-históricos (como os lagartos, os dragões, os
crocodilose os seres humanos). Às vezes vivo a certeza de que as almas dos meus amigos
mortos pela SIDA/AIDS socorrem-me. São almas de santos mártires do mundo contemporâneo.
Um amigo (vivo), psicólogo e poeta, sugeriu-me, às vésperas da partida final da Copa do
Mundo 2002, que eu pintasse ou escrevesse em meus glúteos as seguintes palavras:
"Brasil Campeão!". E um intelectual desconhecido disse há poucos dias na Tv
Cultura paulistana que o uivo dos leões é o hino nacional dos leoninos, que o berro
bovino é o hino pátrio dos bois e das vacas, que o coaxar dos sapos é o hino nacional
destes antigos moradores de terras úmidas e pântanos e assim por diante. O que você
acha desta tese crítica? (27 de Junho de 2002). A dúvida sobre a possibilidade do
retorno, a incerteza de se conseguir voltar de uma viagem configura o tom patético de
todas as partidas, não só da partida da frota de Vasco da Gama da praia do Rastelo!..
Mar e céu são igualmente (?) azuis e o azul é a cor da transição, do transporte e da
passagem do "real" ao "imaginário" e vice-versa. Azuis como o
infinito misterioso. O navio no horizonte não nos assinala se está chegando ou partindo.
Falta de esperança, queda na vitalidade!... Caminhando ou prostrado ou passivo em
relação ao vento, inativo, indiferente ou descrente de tudo e não dando mais crédito a
ninguém, exilamo-nos em nós mesmos: "spleen"!... Que tudo corra como já está
correndo, consciência da mais absoluta inutilidade e esterilidade de tudo e de todos!...
Chegada e partida se confundem. Chegada e morte se confundem. Parto, partida, chegada,
morte, nascimento e renascimento se misturam. Máscaras e paisagens e memórias vitais e
mortais, falíveis!... Os velhos envergam maquiagens e máscaras de juventude e os jovens
(apolíneos ou dionisíacos), na maioria das vezes, desprezam o futuro (a velhice) e só
os jovens mais sábios já se aproximam das maquiagens e das fisionomias dos anciãos que
mais tarde serão(?). Símbolos dos descompassos entre passado e presente e vice-versa. O
passado maquiado de presente, o presente maquiado de futuro e. ao mesmo tempo,
projetando-se como tradição, travestindo-se de passado histórico marcante e
respeitável! Defasagens, descompassos e descentramentos mascarados atemporais e
diacrônicos. Rumos, fados e destinos indesejados, involuntários, aleatórios,
imprevisíveis ou desnorteados e...,tragicamente, irrevogáveis,irreversíveis!... Tramas
traiçoeiras de nossas alienantes/alienadas biografias!... (27 de Junho de 2002). A
glamourização e o fascínio da antigüidade,superfícies recobertas por pátina!...
Gravata borboleta de seda branca em fundo negro de smoking!... Esperanças aparentemente
desesperançadas!... Para Thomas Mann os nossos amores e desejos sensuais são alimentados
em refeitórios de hotéis e até nos restaurantes de clínicas alpinas para tuberculosos.
Escondendo-me dos outros posso estar escondendo-me de mim mesmo. "E não há em todo
o mundo impureza tão impura quanto a velhice." (Thomas Mann/ Luchino Visconti).
Nossas paixões se proliferam e, aomesmo tempo, nossos mundos se desmancham, se volatizam.
O tempo é ardiloso e nunca mascarável. Nosso presente pode nos trazer a consciência da
impossibilidade do futuro. Amor e morte se cruzam, se fundem na surpreendente esquina do
presente com o futuro. (28 de Junho de 2002).
Último tango em Paris.
No trajeto entre a Comuna e a Praça de San Marco di
Venecia cheguei à seguinte conclusão: no fundo de todo pensamento está a mediocridade.
(...) Com a agenda cultural de Lisboa / Junho de 2002, os prospectos sobre a Feira do
Livro da capital portuguesa, fotos e cartões postais dos picos de Europa, de Leon, de
Bilbao, de Viana do Castelo, da foz do Minho (fronteira Espanha/Portugal), de Coimbra (com
os recados e mensagens manuscritas do amigo lisboeta José Augusto, autor de renovadas
promessas de visitas aos seus amigos e amigas brasileiros/brasileiras: que lhe seriam
muito mais que cicerones e cesarones) me sinto cada vez mais ibérico e menos brasileiro.
(28 de Junho de 2002). O passado tomado como uma tentativa de matar o presente. O novo,
quase sempre, irrompe na interrupção ou no desvio dos fluxos de nossas vidas
individuais. Várias vidas paralelas que teimam em se cruzar. Quem vive em segurança no
nosso mundo? Nem em um prédio antigo, cheio de vidas passadas, pleno de memórias, com
paredes marcadas por suas histórias e pelas vozes que entre elas soaram, palavras e
imagens se confundindo em emoções e em
medos, nem aí nos sentimos seguros ou invulneráveis. Ao buscarmos exorcizar os pesadelos
que tentamos desviar de nossos caminhos, nos tornamos os próprios pesadelos que sonhamos
afugentar de nossas vidas!... Espaços cheios de passados muitas vezes são palcos
shakespeareanos nos quais lutamos pelo esquecimento. Uma profunda atração pelo
desconhecido. Cenas sempalavras, histórias sem histórias. Imprevisíveis relações
profundas e cortantes (para não dizer traumáticas). Relações profundamente
silenciosas. O túmulo do cachorro na casa de campo do pai de Jeanne, coronel do Exército
francês morto em 1958 na guerra da Argélia. A vida é um filme que até hoje não
havíamos assistido. Acusamos os outros quando estamos a acusar a nós mesmos. Cenas
disparatadas e sem sentido entre túmulos de um cemitério às margens da rodovia que liga
Lisboa a Madrid. Nos esbofeteamos e, depois, nos abraçamos. Em plena Copa do Mundo de
Futebol 2002 as duas Coréias beiram à guerra!... Quanto mais portas nos abrimos, menos
caminhos nos restam. Quanto mais brincamos em nossa piscina de memórias mais presente se
faz o nosso oceano universal biográfico. O pasto é o país das vacas e, por elas, é
fertilizado. (...) Memórias líquidas se esvaem por um ralo. Para tentar entender a
história, Paul tenta deter o seu fluxo, ordenando que se feche a torneira aberta para
lavar e escoar o
sangue borrifado na banheira e na parede azulejada durante o suicídio da sua mulher,
Rosa. Como numa clássica novela de Gustave Flaubert (Um coração singelo) seu quarto é
(como tudo em sua vida) sombrio e entulhado, repleto de incertezas coisificadas, livros
para todos os lados, recortes de jornais, fotografias, pássaros e animais embalsamados,
objetos litúrgicos, roupas íntimas, urinóis e vidros com coloridas águas de cheiro
sobre armários cobertos com pedras de mármore cinzentas. Teias de aranha e um fetohumano
boiando num vidro com formol na cabeceira de Rimbaud!... Somos o passado que avançou até
agora e morreu quando este passado foi interrompido ou recebeu um ponto final. Nunca
conseguimos esquecer o que vivemos nem os nossos nomes. "Sagrada Família, igreja de
bons cidadãos!... As crianças são torturadas até mentirem. A vontade é quebrada pela
repressão, a liberdade é assassinada pelo egoísmo, família... você...porra de
família! Oh, Jesus! Oh, my God", diz Marlon Brando para Marie Schneider no filme
Último tango em Paris . Sexo anal: sexo só por prazer: dor se confundindo com prazer sem
masoquismo: negação de qualquer idéia de família. A aliança de ouro substituída pelo
anel de couro. Os ingredientes presentes em nossas camas e mesas são limitados
ou distinguidos apenas por delimitações ou fonteiras morais. Se buscarmos uma fortaleza
num outro (parceiro sexual) para nosesconder, nós nunca a encontraremos. Jeanne,
obedecendo a Paul, corta as unhas de dois dedos de sua mão esquerda (do
indicador e do médio) e os introduz no ânus do seu amante. E Paul implora-lhe que
providencie um porco que lhe fôda e ao mesmo tempo - vomite em sua cara (e ele
beberá e lamberá o vômito deste suíno!). E Jeanne, em 1972, promete cumprir os
desejos de Paul!... Último tango em Paris vai lançar seus ecos no cinema
norte-americano: vejam os filmes Táxi Driver e À procura de Mister Good Bye. Oh, my
God!... E Paul diz ao cadáver da sua esposa Rosa, defunta vestida de branco volteada por
flores roxas estendida em sua cama de casal: "Sua puta de merda, barata, maldita,
desgraçada! Espero que você apodreça no inferno junto com Lautréamont!... Você é a
porca de rua mais imunda que qualquer um já viu em qualquer lugar! Vamos, sorria sua
puta!" Glauber Rocha, no close que deu na cara do defunto Di Cavalcante, revela a
influência deste filme de Bertolucci em sua cinematografia (película tida pela Censura
como pornô!). Um close que a defunta Rosa (esposa do personagem Paul de Último tango em
Paris)recebeu nesta violenta cena-clímax!... Um grande vazio constituía o tempo e o
espaço nos quais Paul julgava situar todo o seu conhecimento e a sua presença na vida da
sua morta Rosa, símbolo explícito e nominal do amor que perfuma e espinha,
fere,sangra!... O passado de Paul e Rosa tornou-se eterno no presente relacionamento
casual e pretensamente a-histórico com Jeanne!... E Paulo Menezes, em À meia luz -
página 171, nos indaga: "_Se nunca se sabe de nada, para que tentarmos
incessantemente saber alguma coisa?" (...) Paul cavou em Jeanne o vazio final que os
separaria. O sexo como "um momento fundamental através do qual tudo se passa e a
história se reencontra."(Cf. em: MENEZES, Paulo obra citada página
176). Naboca resta um gosto amargo trazido pela "aparente impossibilidade de
construir algo de novo a partir de tantos velhos". (29 deJunho de 2002).
O império dos sentidos.
Ou Santa Ceia? Todo este texto (ensaio/resenha é
dedicado ao amigo e poeta português José Augusto de Jesus Antunes, morador em Damaia, na
grande Lisboa!).
Sexo, mutilação e morte? Kichi & Sada. Sem barreiras, sem nojo de sangue de mulher
menstruada, sem qualquer constrangimento em receber na sua boca o fruto espermático do
calor prazeroso do seu homem. Um banquete erótico. "Tudo o que fazemos, mesmo o mais
simples ato de comer, tem de ser um ato de amor"(diz Sada). A vagina de Sada engole o
ovo nela introduzido por Kichi. A vulva de Sada devolve o ovo pondo-o na boca de Kichi.
Kichi faz sexo com a gueixa idosa que lá vai cantar para eles. A velha gueixa (des)falece
de prazer no ato sexual com Kichi. Os três amantes (Kichi, Sada e a gueixa idosa) vivem
uma mútua e crescente
excitação. Ao trepar com a gueixa cantora idosa, Kichi (ou imagina ou deseja) se vê
mantendo uma relação incestuosa com a sua mãe. Sada & Kichi : um casal de amantes
visto com nojo pelas empregadas que foram proibidas de limparem a cena em que se
entrelaçavam ou porque tal casal se mostra insaciável? Avança e se fecha cada vez mais
o fluxo atemporal deste ininterrupto banquete sexual aparentemente falocrático, mas, na
verdade, falófago! Uma sexualidade viciante e anti-social? Num distanciamento galopante
entre aqueles amantes e as instituições Família e Estado (militarista). Um suicídio em
marcha erótica? Sada quer que o pênis de Kichi urine dentro da sua vagina. Sada vê
autonomia física e ontológica na desenvoltura fálica do pênis de Kichi. Kichi diz que
só quando consegue ir ao banheiro para mijar o seu pênis tem sossego e, por tanto querer
dar prazer crescente a Sada, Kichi já não sabe mais se o seu pau é seu ou da sua voraz
mulher. Kichi, assim, tem consciência de que está perdendo sua identidade. Kichi implora
para que Sada faça com ele o que queira. Sada estrangula-o e decepa seu pênis e
testículos. Em seguida, vaga sem rumo (como uma anti-Jocasta ou como um anti-Édipo?)
até ser presa e, com a notoriedade e a repercussão do caso, tornar-se uma figura que
goza popularidade no Japão pré-II Guerra Mundial (1936). Cena final do filme (sobre um
fato "real"): paira sobre o casal estendido em seu futon enlameado pelo sangue
de Kichi as seguintes palavras escritas com o próprio sangue do macho de Sada:"Kichi
e Sada para sempre!..." Desde a aparição do mendigo sujo e impotente (no início do
filme) até a castração de Kichi (no final) é colocado em questão " o próprio
lugar do homem nas sociedades patriarcais". Um radical e fatal exílio da sexualidade
e da
falocracia!... O jogador de futebol brasileiro Ronaldo, ao comemorar o Penta- Campeonato
Mundial de Futebol em 30 de Junho de 2002, nos disse que preferia o Penta- Campeonato ao
prazer sexual!... Sada & Kichi: um casal que exclui o sócio-econômico, o cultural e
o político, numa radical e mortal desalienação! Sada vaga por três dias carregando,
triunfante, consigo o pênis de Kichi. Para Nagisa Oshima, diretor de Império dos
Sentidos , "os tabus advindos da visão santificada das relações sexuais
monogâmicas foram quebrados neste filme." (Écrits 1956/1978 página 324).
The end.
Blade Runner
O social destrói o indivíduo pela repressão à sua sexualidade. E pela sua
institucionalização. Nos filmes aqui já resenhados (de L. Visconti, de Bertolucci e de
Nagisa Oshima) configura-se a impossibilidade de profundas transformações humanas,
políticas e sociais? "A confiança na vida não existe mais, a própria vida
torna-se problema."(Friedrich Nietzche). Robôs Nexus 6: a mais avançada tecnologia
da nossa galáxia!... Outdoors eletrônicos ambulantes cruzam os céus da Metrópolis Los
Angeles ano 2016.Animais sintéticos são cópias fiéis e indistinguíveis dos animais
"naturais"!... Animais de mentira idênticos aos de verdade!... Uma densa névoa
(iluminada ou opaca) cobre a megalópole repleta de edifícios com dezenas ou centenas de
andares com elevadores que obedecem e identificam comandos vocais, com ruas apinhadas de
gente, congestionadas por carros que correm horizontalmente e verticalmente (pousando com
precisão no topo dos edifícios-torres). Apesar dos seus lentos ventiladores girando em
espaços densamente poluídos (também pela fumaça exalada das bocas dos fumantes),
apesar das inúmeras inovações tecnológicas (surpreendentes?)... Mundo padronizado,
homogeneizado, não transformado pela tecnologia sofisticada difundida no cotidiano de uma
sociedade dividida e hierarquizada entre humanos e seres replicantes (clones ou
ciborgues)!... Uma névoa mortiça e pestilenta envolve todo o planeta, conformando uma
sombria atmosfera. Uma incessante fumaça de cigarros sai pelas janelas dos edifícios,
dos carros e dos rostos dos policiais e transeuntes anônimos e desencontrados que correm
para todos os lados ao mesmo tempo. Bilhões de fumantes compulsivos!... Ruas entupidas
ainda por todos os tipos de coisas e dejetos e velhos aparelhos eletro-eletrônicos, etc.
Fumaças estranhas saem de buracos em todos os lugares. Papéis esvoaçam como aquelas
chuvas que caem dos escritórios no último dia útil do ano!... O mundo virou um imenso
lixão a céu aberto. " Hoje é o dia mais feliz da minha morte" me diz, sem
mais nem menos, um pedestre. Um sol mortiço, não brilhante, mas ainda amarelo, perdido
num céu cada vez mais dominado por uma sombria escuridão, me amedronta. Fotos: tempos
paralisados. Tempos petrificados. Para distinguir os humanos dos seres
replicantes/replicados temos olhos. Olhos: os centros das possibilidades!... O essencial
está em saber ver, saber compreender aquilo que se vê. A vida não é só isto que se
vê. É muito mais!... Relações entre tempos e imagens em movimento: holografias!...
Cenas em câmera lenta. Engenheiros genéticos conversam numa fábrica de olhos!... Rostos
com traços orientais e ocidentais. Japonesas louras e suecas havaianas aparecem no
cartão postal. O mal do século é a precoce e inevitável falta de tempo. A criatura
torna-se mais inteligente e ameaçadora que o seu criador. Homens do futuro dormindo em
camas amplas em estilos medievais em quartos iluminados por velas e cheios de objetos,
bustos e coisas desconexas. Sinal de perfeição é também sinal de limitação. Roy
abaixa a cabeça sobre a qual Tyrell passa a sua mão expressando-lhe compaixão e
consolo. Num mundo no qual tudo é enevoado e obscuro, onde as criaturas mortais matam os
seus criadores, no qual as imagens se refletem e se desdobram não só nos espelhos, mas
até nos outdoors das paredes externas dos edifícios, parece-nos não haver mais
fronteiras entre o possível e o impossível. Somos aquilo que fomos e deixaremos de ser
aquilo que ainda somos. As imagens não mentem?
Fotografias revelam relações entre tempo e memória. Sem passado e sem memória nós
não temos identidade e nem história; sem passado e sem identidade nós não existimos.
Blow up!... Implantes de memórias nos levam a ignorar que sejamos outros tipos de seres
replicantes também (atônitos com tal condição como o ficavam os filhos adotivos quando
seus pais afetivos lhes contavam quando e como os tinham adotado!). Solução tecnológica
para tais dramas: a invenção de passados individuais cada vez mais densos e
convincentes, a invenção de culturas e a criação de pseudo-tradições!... Minha mãe
foge do seu passado ao se recusar a me ver com mais de meio século de existência!...
Embolou o meio de campo da nossa história social. Uma luz azul e fria toma todos os
nossos cenários. Um só grande jogo globaliza nossas existências banhadas por chuvas
ácidas. A grande experiência é viver com medo. Ser escravo é viver sem saber em que
dia se morrerá. Anunciaram-me que "é tempo de morrer" e eu ainda vivo!
Brincadeira!... Gargalhada geral!... Pirâmides egípcias, ruínas greco-romanas e
ornamentos vertiginosamente barrocos em cenários futuristas de Los Angeles, Tókio e de
Sidney! Degeneração precoce, curta esperança de vida e uma coceira insuportável que
não se pode coçar!... Fungos e ácaros morrinhentos superpovoam a nossa deteriorada
atmosfera. Todos os seres humanos de Blade Runner são sós. Só os replicantes formam uma
grande família: aqueles que só têm quatro anos para viverem lutam, unidos, para viverem
mais!... Os replicantes são e não são a um só tempo, shakespeareanamente. Os
replicantes são exilados dentro de seus próprios corpos e montes aleatórios de imagens
neles implantados como falsas memórias. Existências totalmente problemáticas!...
Tudo escorre por entre os nossos dedos. Teremos ao menos um futuro incerto? Um anti-conto
de fadas pós-moderno em Blade Runner? Tornam-se plausíveis as uniões entre um amante
vivo e um amante morto e até nesta situação, antes inusitada,
perspectivas de procriação entre estes cônjuges!... Vejam os clones, as inseminações
artificiais e o filme Ghost. Admirável mundo novo!... Dissipando todas as certezas,
mergulhamos no novo impensado (ou até então tido como improvável) e evitamos, assim, o
the end. (1 de Julho de 2002).
Imagens reticentes.......
A vida se manifesta dentro e fora de nós, nos dizia
Max Weber. Numa infinita variedade de eventos. Numa sucessão fluente, simultânea,
caótica e acumulativa de fractais e nódoas significativas. Um mundo de múltiplos e
desconexos vínculos a revelarem rupturas não assimiláveis: escritas hieroglíficas de
experiências opacas irresgatáveis, esquecidas e que configuram mistérios matemáticos e
musicais. O futuro do infinito é uma multiplicidade de indeterminações!... Nossas
memórias involuntárias (ou proustianas ou benjaminianas) afloram de um tempo e de um
espaço que julgávamos inexistentes. Nossas horas mais barulhentas não nos trazem
eventos em si mais reveladores: estes ocorrem em nossos momentos mais silenciosos. O
cinema é mais que uma indústria: é um útero enorme no qual coletivamente e
individualmente possamos (ou não) problematizar o que somos e o quem estamos vindo a ser.
A intimidade no anonimato e a estranheza entre os que nos sejam familiares. O mundo sempre
será múltiplo?
Se Deus quiser o será! Risos. O tempo incessante e inexorável não é mais de Deus,
virou dinheiro para os homens. Time is money.
O tempo incessante é uma abstração. Um tempo linear, homogêneo, escatológico,
teleológico e, a um só tempo, dominado e dominador; quadrado e circular. O tempo de Deus
virou mercadoria segmentada em relógios de ponto. O tempo configurado como trabalho
vendável, jornada de trabalho semanal (de 32 ou de 40 horas). Bares 24 horas, saunas 24
horas, igrejas 24 horas, piscinas 24 horas e até banhos de mar à noite e de madrugada
(com ou sem banhos de lua, com ou sem banhos de luz). Tudo ficou incessante, contínuo e
nossos sonhos conectam nossas realidades e nossos imaginários. Nem dormindo paramos de
pensar? Na Idade Média os relógios de sol (nas praças) marcavam as durações das
feiras e os horários das missas, casamentos e enterros. Hoje temos farmácias 24 horas,
funerárias 24 horas e é tempo de viver e de morrer, tudo a um só tempo!... Tempo
incessante é progresso? O tempo, antes e depois de Freud, é psicológico, imensurável.
Malhas temporais e existenciais vão nos mumificando. O escoamento perpétuo do tempo
inunda maternidades, escolas, cinemas, restaurantes, nossas camas e nossos cemitérios.
Nosso passado nunca é um livro aberto e o folheamos com a displicência metafísica dos
anacoretas dos nossos tempos. Também por isso viramos colecionadores de relíquias,
totens, souvenirs, animais empalhados, ferros velhos e antiguidades. E vivemos ruminandom
cósmicos flash-backs, entulhos reciclados, lembranças de olhares atônitos congelados de
prostitutas em cassinos de Las Vegas(Koyanisqatsi) e nunca dispensamos head-phones nos
nossos ouvidos (insaciáveis sorvedouros de sons e músicas do passado).
Eunucos andróginos lançam a moda "unissex" e provocam a santa ira ou a
perplexidade boquiaberta do filósofo/sociólogo marxista Lucien Goldman. Nosso universo
neo-barroco tenta eliminar todos os vácuos e lacunas verbais ou textuais. Fazendo-me
presente, reconfiguro meu passado e caio em pé no meu futuro possível. É impossível
esquecer. Não podemos confundir cegueira ou surdez com esquecimento. O futuro se desdobra
em ecos do passado, no zen presente e no anti-futuro do impossível. Heidegger enchia
lingüiças ou dava formas acentuadamente fálicas às salsichas alemãs? Pinturas,
palavras, imagens e textos formam um só todo nas obras de Francis Bacon, Jean Genet,
Michel Foucault, Ionesco, Andy Warhol, Salvador Dali, Píer Paolo Pasolini, Wim Wenders,
Ítalo Calvino, Luis Buñuel, Luchino Visconti, Jorge Luis Borges e José Lézama Lima!...
Todos nós somos históricos portadores de significados. Todos nós, anônimos ou
consagrados!... Até que ponto seríamos seres humanos da atualidade? O presente se nos
apresenta como algo acabado? Digamos "não" ao the end hollywoodiano! Esquecer
pode ser perdoar ou um jeito de se protelar o nosso fim. Esquecer pode ser também a
conservação de injustiças e escravidões. (...) "Muito antes das forças especiais
(e não assim tão especiais) estarem fisicamente treinadas para matar, queimar e
interrogar, os seus espíritos e corpos já estão treinados para ver, ouvir, cheirar no
outro não um ser humano, mas um animal (caça?) animal contudo, sujeito a castigo
total." Herbert Marcuse Um ensaio para a libertação Lisboa
Bertrand 1977 página 102. Os internautas navegam numa tela de
monitor cada vez mais limitada e menor (como no isolamento avassalante de Sada e Kichi em
Império dos Sentidos). Aschenbach (personagem principal de Morte em Veneza) se
"rejuvenesce", se dissolve e morre na praia em frente ao hotel em que se
hospedava em Veneza!... Último tango em Paris ou a impossibilidade de se construir o novo
sobre os escombros do velho? Ou um filme que nos indaga sem rodeios: qual a violência
mais abatedora? A violência física ou a violência contra os nossos valores? Afinal,
temos mesmo "valores" norteadores ou só arremedos de "valores"? Se
aqui fizemos uso ou recorremos a palavras "inapropriadas" é porque defendo o
irrestrito recurso às palavras (instrumentos lingüístico culturais socialmente
forjados) e não, simplesmente,reatualizamos academicamente os discursos das moralidades
burguesas, tão pestilentos e nojentos quanto a Veneza empestada pela cólera asiática
(cenário do conto de Thomas Mann filmado por Luchino Visconti) ou tão incômodo como o
lixo que esvoaça em nossas ruas e calçadas e que não ocultam os nossos resistentes,
lúcidos e malcheirosos mendigos (como o que aparece no início de Império dos sentidos
). Todos os filmes aqui recordados / revisitados e recortados têm a ver com o mundo pós
1968 : o mundo das múltiplas diferenças e dos estranhamentos e encantamentos a
nós proporcionados . Make love, not war! Abaixo a miséria sexual, abaixo a mediocridade
intelectual, dê um chute na boca do estômago que você enche diariamente com os seus
preconceitos comendo o ovo que saiu da vagina de Sada!... Estou sendo punk, ou hard?
Radical? Goze aquelas inesquecíveis cócegas sexuais que experimentamos durante os nossos
orgasmos! Hipocrisia é pobreza, a única e verdadeira e desprezível pobreza humana e
este tipo de miséria pega, hem!... Viva sem culpa. E sem sermões e sem ler panfletos
vulgares!... Nenhuma distância separa o que falamos do que fazemos e, de fato, pecamos
por pensamentos, palavras, idéias, atos ou obras!... Amém!... Assim é o pecado total,
que tal?
(1 de Julho de 2002).
José Luiz Dutra de Toledo,
50 anos e quase 7 meses; ama paternalmente suas cachorras Lanúcia, Zaragoza e Ursa; é
Mestre em História pela Universidade Estadual Paulista campus de Franca / Estado
de São Paulo; Prêmio Clio 1992 da Academia Paulistana de História; colabora
desde 1967 com jornais, suplementos culturais e (desde 1998) com sites e home-pages
literárias de vários países; é professor; bibliotecário e divulgador / disseminador
de hemerotecas na rede municipal de ensino de Ribeirão Preto/SP; cronista; ensaísta;
ainda membro da equipe técnica da Secretaria Municipal da Educação de Ribeirão Preto
/Estado de São Paulo ; em Janeiro de 2000 proferiu palestras sobre a presença
homossexual na história e na literatura brasileiras
para os membros da ONG Opus Gay de Lisboa e do Porto (Portugal); nasceu em Tabuleiro-
Minas Gerais/Brasil.
destaques