A ARANHA I
José Renato
Pimentel
No ouvido do tempo
plantei canários e lírios
armei um cântaro
com jaças de prata e fuligem
guardei meu peixe amado
vesti-me de escamas e sais.
Ouvi galopes e ventanias
quando a lua era azul
quebrando meu sono, meu medo.
Mulheres teciam, teciam
o fio incontido nos dedos.
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