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O CÃO I

José Renato Pimentel

Este cão
de esguio ladrido
traz na concha dos calcanhares
a flor de teu sono.

E o som
de abissais concílios
envolve as roldanas
e os teares do esquecimento.

Aquecido ainda
no embalo de fios e labirintos
cultivo os cães
e as potrancas nos jardins
têm caramujos nas patas
e asas nas garupas.

Teus cabelos
no arco do tempo
se fundem
se perdem
quando as argolas da corrente
retinem em meus ouvidos
e os ladridos do cão
esguio cão de mundo vago
transportam-me ao tempo
de teares e fios
e luas de azuis colorações.

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