José Renato Pimentel
As mãos anseiam o vôo
que perpetuará o gesto.
Há um canto sem acordes
nos ouvidos do homem.
Os automóveis passam na rua.
As buzinas se desfibram
em caramelos vermelhos
e penetram a boca onde se oculta
ainda um jato de lembranças.
O suicida não dissolverá o crânio
nem usará uma corda no pescoço.
O suicida voará como um cisne
do mais alto dos edifícios.