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POEMA III

José Renato Pimentel

As mãos anseiam o vôo
que perpetuará o gesto.

Há um canto sem acordes
nos ouvidos do homem.

Os automóveis passam na rua.
As buzinas se desfibram
em caramelos vermelhos
e penetram a boca onde se oculta
ainda um jato de lembranças.

O suicida não dissolverá o crânio
nem usará uma corda no pescoço.

O suicida voará como um cisne
do mais alto dos edifícios.

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