poesia
não do não ao não, seus olhos sim ,
me exigia nada de mim, me tomava todo, inteiro,
na extinção de mim, naquilo que sigo sendo,
na viração de mim, naquilo que persigo,
na pulsação de mim, naquilo que me acontece desejar,
na inquietação de mim, naquilo que eu já sou outros,
na dispersão de mim, naquilo que estando aqui estou ali e ali, e sempre lá
no coração de mim, naquilo que o seu lance de vermelhas auroras, os órgãos e
vísceras e entretecidos tecidos corporais
são vestígios de vida em
mim, em meus
muitos óleos olhos roucos e loucos pro ouvido pouco aos outros tantos nos
lugares noutros,
dentro e fora e fora e fora e fora e fera e vera e era fora agora agoura os tantos
santos lugares poucos de seus doutos ricos roucos sentidos moucos,
na consciência inconsciente de mim, naquilo que no fundo no fundo no fundo de
meu mundo sou raso raimundo desse vasto profundo sonho rotundo a perturbar e
a retumbar a pele da carne do coração das vísceras dos cérebros das almas dentro
das roupas e dos panos imundos desses três arcanos anos distintos, nos instintos
intestinos
dessas três luzes,
no canto da sacristia, a eucaristia de eu vê-las os corpos vivos delas são
velas elas,
santíssima pobríssima trindade matriarcal,
mãe e filha e avó,
a demandar de meu céptico asséptico tecido centrifugado, minha roupa em mim,
a
vertigem ambulante, do que há de inocência, na ambulância de minha sonolência,
na cama do luto da só puta luta, a demanda de mandar de andar de dar de ar de
arejar
os poros de a cor dar, em mim, a dor de minha dormência e a alegria
da clemência de minha demência,
na vulnerabilidade
absoluta,
delicadamente despojada, no pouco, pouquíssimo, no nada miserável a me pedir,
folha seca eu pisando no ruído do cisco da tarde a manhã de um convite
arrebata/dor
na zona sul, no sul da zona, na zona do sul, o verde do azul da tarde em sol,
solarizava
na sonoridade de meus passos a caminho de mim mesmo, dentro desse som diurno,
em que a
vida em mim me persegue eu mesmo no rumo do salário, do emprego, do sucesso,
da prisão em
mim do automóvel, da mulher burguesa, do conforto do lar, da roupa ajustada, da
tensão da atenção
ensimesmada dos amigos e dos inimigos e da corja de assassinos, em mim, de
mim, na ponta do
punhal o sangue meu, vermelho-vulva, invisível dor de mim, em mim cravada, no
calcanhar de aquiles de um bom dia
estúpido, sem mim, em mim, sem ti, em ti, sem ele e ela, em ele em ela, no olá, no
até logo, até
amanhã, nas costas dadas depois, antes e durante a mim por todos e por todas por
mim, na
indiferença letal no teto rouco e louco dos instantes, ah, os instantes vivos de
viver, mortos de
morrer em mim, no estrondo, na explosão, aqui, coração, ausculta, ritmando, em
mim, a
implosão do som, da buzina, do motor, a passar, a passar, a passar, tudo, a passar,
a passar, e eu
a passar também, passando, passamos, a passar, tudo que se faz visível, ali, perto,
concreto,
outras vidas, outros seres, a passar, a passar, passando, indo e vindo, em lugar
algum indo e
vindo pra lugar algum, pra outros lugares de ir e vir, outras formas de estar não
estando com
mãe, com pai,
com filho, com filha, com amigos, com colegas, amantes, com desafetos e com
afetos, com
conhecidos, com
desconhecidos, outras
formas de ir e de vir pra casa, pro banco, pro bando de nós na banda afetiva de
nossos
convívios, as máscaras e presenças e personas de nossos sonhos, em nossos
sonhos, o peso, o
peso, o peso, o peso, o peso, o peso, inacessível, intocável, inapreensível, do
pesadelo desta tarde, o cosmo
todo nas minhas costas na pressão do ar e dos ares desses outros todos a passar, a
passar, a
passar, passando, indo e vindo, vindo e indo, a pressão desse peso, o vento do
momento no
pensamento de meus gestos indo e vindo, a fazer coisa alguma, a fazer sem fazer,
sempre o
desnecessário fazendo e fazendo-me, sempre um outro a fazer no lugar do fazer
que deveria
fazer, no pêndulo de meus passos, a descer, a descer, a descer, depois de ter indo
e vindo, em e
de uma máquina bancária, e de lá tirado o dinheiro pra cerveja, pra cumprir o
assento e o
movimento da boca a falar por mim e do ouvido a escutar por ti, o ritual de um
outro ir e vir,
sem fazer, desfazendo, o dinheiro no bolso, no bolso o podre, a caveira, o
lamento, o choro, o
fedor, o desespero, o inferno, o aborto, a extinção das espécies, a fome do bebê
no colo, no colo,
no colo da escada, que descia, no colo, o bebê faminto, vi, e eu com a abstração
dessa fome, eco
eco eco eco eco eco eco eco das fomes que já senti, eco eco eco eco eco eco eco
eco da morte em
mim de meu sexo, da fome de meu tesão, da fome de meu cérebro, de em minha
pele a fome de
outras peles , no choro a olhar do bebê no colo de uma desolada desalojada,
desesperada,
destituída, desmaterializada, desterritorializada, desquitada, desprestigiada,
desmontada,
desencontrada, despudorada , destruída e reconstituída trindade feminina, ali,
pertissimamente perto, e tão longiquamente longe,
do banco do brasil,
era
mãe, era o bebê
filha, era
a avó, e todas órfãos, e bebês absolutos, chorando de tanto chorar, chorando de
tanto mais não
chorar o choro expulso de chorar, e o eco, nelas, o eco o eco de toda uma
humanidade
esquecida, perdida, impedida de fazer e de fazer-se, estilhaçada amaldiçoada, lá, no
começo da
posse, quando, entre mim e ti, quando, entre mim e mim, entre um qualquer mim e
um outro
qualquer mim, se
interpôs o dinheiro, a crueldade cínica e cívica e sifilítica do meu sem o seu, do
meu apesar do
seu, do meu roubando o seu, da posse, da pose, da sua dor, do eco, do eco dessas
dores todas, a
dolorir, a pungir, a rugir, a mugir, a fugir, a ruir minha muralha de não sentir as
minhas
infinitas dores em mim, com as infinitas indiferenças, em mim, de mim mesmo, a
me proteger de
mim, e do que, por mim, posso fazer por todas as dores a dolorir em mim, e em t
todas as outras
dores por aí, por aqui, por ali, e, agora, na urgência desses rostos femininos e
famintos, a me
chamar, clamar, conclamar, reclamar, proclamar, declamar, inflamar, difamar, amar
os
perdidos e
doloridos, e escondidos, e desistidos, e corrigidos, e implodidos, e desiludidos, em
mim, o rebento
desse oxigênio que em mim respira e inspira e expira o broto verde ( um sol e uma
estrela
alquimicamente modificados em lua e em terra numa dança sensual em que da luz
própria
estrelares a imprópria luz o rebento verde incorpora em si, trazendo, em si, o
brilho verde
encantado de tudo que, sem luz, como planetas no abismo, suga a luz de fora e a
interioriza, em si,
fazendo brilhar o diamante o dia amante, o do dia amante do instante a sorver
luzes de fora, em
sua gratuidade luzificada, distribuída para todos, como um sol nosso de cada dia, e
o diamante a
sorver, a sorver, a sorver, e a ecoar e a ecoar o ar desse rebento, desse broto
verde-macio,
exuberantemente frágil, na ágil fragrância do perfume do feto de nascer, do sexo
e do nexo, entre mim e mim, entre mim e elas, nelas, a luz entre de meu olhar, luz
de pus: reluz )
do diamante de todos os
meus momentos
de existir, desde quando ainda não era, desde quando ainda era a pressão de um
gozo, no vai e
vem de uma trepada, desde quando a pressão para eu existir ainda era antes, antes
da trepada a
vomitar o esperma que me deu origem e a disponibilizar, dador, o óvulo-mãe que
me confortou e
despontou pro dois impossível de uma diferença com a outra a criar,
acontecendo, a minha
diferença de nascer, desde antes dessa trepada, a pressão de eu nascer,
reverberação em mim de
todos os nascimentos nascidos neste planeta a nascer a nascer a nascer a nascer a
sempre mais
a nascer, em todos os poros peles de outros óvulos e sêmens, e a pressão então era
antes, pra eu
nascer, antes da trepada, de meu pai e de minha mãe, já estava no sonho nascente e
a nascer de
minha mãe e de meu pai, e do pai da mãe de meu pai e de minha mãe, e de todas
anteriores
mães e pais de meus pais, o sonho pressionado de eu nascer, lá estava, tatuado,
marcado,
carimbado, dado, amado, dotado, selado, decretado, colado, alado, safado, fadado,
calado, originado, urinado reinado de germens mijados, de eu
nascer, de eu, nesse rio heraclitiano, nesse mar de sangue, nesse furacão de
desejos, nessa estrada
sempre antes agora e depois, engravidada, como futuro, sementes de tramas e de
ramas e de lamas e de panoramas e de aromas linguais na orelha dos mananciais
errantes
amantes vitais
dialetais nesses trovões relampejantes, diante desses temporais
a nascer a
nascer a nascer
jamais amais um jamais mas sempre e sempre e sempre um dia a mais
errais e buscais nos poros clitoriais do
primeiro embrião,
no primeiro carbono, na primeira fotossíntese, no primeiro grão de oxigênio, no
primeiro
protoplasma incorporativo deste planeta, na primeira explosão e implosão deste
cosmo, na
primeira contenção e dilatação, fechamento e expansão, calor e frio, luz e sombra,
o sonho
deu nascer já lá estava, misturado, começo do
começo do começo de todos os começos, a começar e a começar e a começar e a
passar e a passar e
a
passar, já lá, o meu e todos os nascimentos, e pensamentos, e douramentos, e
surgimentos, e
acordamentos , e acontecimentos, e brilhamentos, e diamantementos de existir, de
mover e de
remover e de demover e de promover e de comover, já lá estava o meu começo e
o começo de
todos outros
começos a indicar que somos todos começos a começar juntos e juntos a acabar e
juntos a nascer
e juntos a morrer e juntos somos sempre juntos e juntos não tem saída porque
juntos sempre
começamos ou sempre acabamos e eu a descer aquela escada fatídica de um
banco o dinheiro no
bolso, a babel instalada, quando três outros começos me olham e eu as olho e não
quero ver os
seus começos como também os meus e, em mim, não quero enxergar os meus
começos, e insisto
só
ver os acabamentos de mim, a morte de mim, na morte ali, do começo daqueles
rostos femininos,
na escada do banco, meu deus, o que fiz, o que não fiz, o que comecei, o que
acabei, o que
abracei, o que recusei, quando aqueles começos me olharam, e me viram com a
morte de seus
começos no bolso, três notas de dez reais, pra eu beber, e esquecer, e esquecer,
com aquele
provável meu amigo, que esquecia e lembrava os meus começos e os seus
começos, e me
olharam,
nunca vi dor igual, em mim, no meu amigo, e naqueles três pares, olhos a me
olhar, o que eu
não faço
por
mim, e o que eu não faço pelo meu amigo, e o que ele não faz por mim, e o que
eu não faço por
aqueles olhos a me olhar, e, é o que me coloco agora, o, o, o, o, o, o, o, o, o, o, o,
o, o, o, o, o, o,
o,
o, o que eu não fiz, e o pior, o que eu não fiz ao fazer, tirei um maldito um real do
bolso, e dei, e
e dei, e dei, e dei, e dei, e dei, e dei , e dei, e dei a esmola de mim, a esmola que
estou
acostumado a dar, que me deram e que hoje dou, de mim pra mim, e de mim pros
outros mins,
dei a esmola de mim, que dou pra mim, a esmola intelectual, a esmola sexual, a
esmola
relacional, a esmola amigal, a esmola corporal , a esmola escutal, a esmola falal, a
esmola
cheiral, a esmola degustatival, a esmola tateal, a esmola abraçal, a esmola escrotal,
a esmola fatal, a esmola vital, a esmola de todos
os começos a
começar e a começar e a começar e a começar, a esmola dei, pra avó, e toquei, a
esmola de meu
toque, em sua cabeça, toma aqui, e ela sorriu a esmola rica, começo de todos os
começos
existidos, existindo e a existir, a esmola de seu sorriso banguelo, ali, perto de mim,
decifra-me ou devoro-te, decifro-me ou devoro-me, aquele sorriso banguelo, feliz,
feliz, feliz,
feliz, com o começo de um começo no meu começo de amar, eis a verdadeira
utopia, tudo mais é
farsa, a utopia estava e está naquele sorriso, a felicitar, aberto, disponível, a
festejar, aquele
começo, mesmo que triste, em mim, do infinito impossível de todos os outros
começos nascendo e
a nascer, sempre, enquanto houver começo, e a esmola que dei, que tenho dado,
que darei,
que cafajeste, que acabamento, que morte que oferto todos os dias pra mim, e pros
outros mins, e
que lamento em mim de um infinito de outros lamentos começados começando e a
começar, em
mim, do infinito de outros começos, em mim, meu deus, por que eu não as levo,
os muitos e
infinitos outros começos de mim em mim pra casa, por que não as dou abrigo, não
os alimento,
não as protejo, não morro pra elas começarem, por que eu não levei pra casa
aqueles três bebês, a
nascer já morrendo, natimortos, em mim também natimortos o infinito de
nascimentos abortados
desde o começo e o começo do começo e o começo a ecoar desde sempre na
curva dos começos e
na encruzilhada de todos os começos em mim trilhando o descomeço a morte
desses começos sem
levá-las pra casa, sem carregar aquele sorriso, beijar aquela boca, abrigar aqueles
sexos, sorver
aquela alegria triste como eterno começo abortado e resgatar, seqüestrar do
banco, do caixa, do
eletrônico momento, do sistema eletronizado, entronizado, o meu pouco dinheiro,
e desse pouco,
multiplicar o milagre do peixe, e desajustar, o eco o eco o eco o eco maquínico das
frias vidas das máquinas, como um vírus fatal, como um vírus vital, como um vírus
monumental, insurreicional, como um vírus virulento violento delicado momento
desse rebento a respirar e a expirar da tarde, a manhã enxertada, a manhã
insinuada,
manhã no que passa, passa, passa, passa, passa e fica fica fica fica fica, a
adolescente em três, conversando namoros e sexos nos sorrisos e nos gestos, e no
movimento, ao andar, das ancas, o bico dos seios debaixo do sutiã, e a
quintessência úmida do perfume herético de sexo nos poros das íris dos olhos do
sutiã a desejar desejante o desejado desejo desejando no gozo dos instantes, no
terremoto
labial dos lábios cavernosos das bocas ocas famintas das tintas de pão e vinho,
letras
oblíquas
das línguas porosas dos abraços rumorosos dos textos e digitais amorosos, e o
homem dentro do carro, sim, o homem, no
carro importado, sim, como eu, em maior ou menor medida, como um muito ou
um pouco de mim, o homem, um cafajeste, um hipócrita, um cínico, o homem a
passar dentro da máquina importada, o homem no leme a remar a remar a remar,
ao remar,
os dedos, a superfície epidérmica e lascívia dos sonhos de não ser o que tem sido,
de soprar os poros leitosos dos balões e dos seios e dos recreios dos recheios
cheios de esquecer os meneios de inusitados enleios do
que fica fica fica ecoa ecoa ecoa naquele
homem, o que dentro dele é vírus de liberdade, de graça, de beleza, de sonho, de
justiça, de manhãs em suas tardes de posses e de passos e de aços de ir e vir pra
lugar
algum, e as manhãs todas abortadas nessa tarde, a manhã daqueles seres em mim,
ofertando, pra mim, o risco corisco da morte de suas vidas, e de todas as vidas, a
dizer a gritar, a arranhar, a esbravejar, a lutar, a derramar, a sonhar, a dilatar, em
mim, o segredo sussurrado de tudo que é verdadeiramente novo, de tudo que é
verdadeiramente vanguardista, de tudo que é verdadeiramente passado, presente e
futuro, de tudo que é verdadeiramente ficcional, invenção, simulacro, epifania,
irrealidade, espetáculo, imagem dessacralizada, mito desmistificado, e mistificação
desmitificada, de tudo que é verdadeiramente mentira de outras mentiras, me
tira do falar
mudo, do escutar surdo, do olhar cego, do provar insípido, do tatear anestésico,
do
cheirar fétido de vícios de cheiros cheios de provar surdo de falar cego, de
escutar insípido, de tatear fedido, e de amar armado até os dentes de ódio pelo
amor ao que em mim ecoa ecoa ecoa ecoa ecoa o amor através de uma janela que
se abre pras gengivas, pras cáries, pro infernal paraíso da boca, pra garganta órfica
de um
dentro vazio de cheio de ânsia, de vontade de comer a comida, a ambrosia, o
estômago entre o enredo vermelho daquele caso de descaso entre tragédia e
dramas a história ruída e em ruína e em surdina, miseravelmente narrada através da
perda, da caída estragada de cada dente daquela boca a sorrir, abrindo a onda
furiosa do escuro do corpo molhado pela saliva ativa da onda lambendo os lábios
com a salinidade espumosa do eco do eco do eco do eco do genocídio e do
suicídio e do parricídio, e do fraticídio, e matricídio , e do altercídio, e do egocídio,
e do amigocídio, e do gozocídio e do ficticídio movimento a inventar da língua a
deslizar entre um lado e outro a palavra pá dessa escavação no cemitério e no
túmulo do que, em mim, é eco é eco é eco eco eco eco eco eco é covardia
é cor
vadia
é cor cor cor cor cor é coração do dia já indo nessa tarde, nessa sempre tarde
nossa, a nos ludibriar, endiabrar, enganar, equivocar, evocar, ovacionar, no sol se
pondo, o horizonte menstruado é aborto de um novo dia que supomos fecundado
de alegria, na tristeza de confundir monotonia com politonia, tarde com manhã,
morte com vida, fim com começo, noite com dia, que ia, que ia, que ia, que ia,
que ia que ia eco eco eco eco eco eco eco da miséria que ia que ia que ia queria
que ria banguela nessa janela oca oca oca oca eco eco que ia que ia que ria que
queria queria o imperfeito tempo de ser e de estar passados, sendo presente e
futuro, e fruturo e monturo e fratura que atura e que atua como
sempre imperfeito, sempre rarefeito, sempre desfeito, sempre
refeito de feitos e de eitos dos fetos das netas e dos netos desses ecos ecos ecos
ecos de morrer e de viver, pois viver sem morrer pra outros víveres vísceres
viveres, em mim, em ti, e nelas, na filha
da filha, na mãe da mãe e na mãe do meio, a filha ilha ia na mãe deste presente, a
perder o
conter de rever e de perceber, no despoder desse ser a acontecer fora da trama do
drama dessa tarde a tecer, que o que fica fica fica fica é justamente o que passa
passa passa, eco eco eco eco,
que deixamos passar passar passar passar passar, e nos poros foros dessas fores
flores,
pássaros a voar,
nascemos de não matar-nos e de não atar-nos
( no barulho calcante calcando de meus pés a pele do rosto do desgosto do gosto
na falha que olha na folha do dente da tarde, que arde ao arder à pressão à pressão
à pressão, alta, do peso do peso do peso dos pés)
á sedução do não
*Luís Eustáquio Soares é poeta e professor,
graduado em Letras, Mestre em Teoria da Literatura
e Doutor em Literatura Comparada. Já publicou
Paradóxias, BH, Orobó Edições, 1999.