poesia

Julio Saens

 

 não do não ao não, seus olhos sim ,

me exigia nada de mim, me tomava todo, inteiro,

na extinção de mim, naquilo que sigo sendo,

na viração de mim, naquilo que persigo,

na pulsação de mim, naquilo que me acontece desejar,

na inquietação de mim, naquilo que eu já sou outros,

na dispersão de mim, naquilo que estando aqui estou ali e ali, e sempre lá

no coração de mim, naquilo que o seu lance de vermelhas auroras, os órgãos e

vísceras e entretecidos tecidos corporais

são vestígios de vida em

mim, em meus

muitos óleos olhos roucos e loucos pro ouvido pouco aos outros tantos nos

lugares noutros,

 

dentro e fora e fora e fora e fora e fera e vera e era fora agora agoura os tantos

santos lugares poucos de seus doutos ricos roucos sentidos moucos,

na consciência inconsciente de mim, naquilo que no fundo no fundo no fundo de

meu mundo sou raso raimundo desse vasto profundo sonho rotundo a perturbar e

a retumbar a pele da carne do coração das vísceras dos cérebros das almas dentro

das roupas e dos panos imundos desses três arcanos anos distintos, nos instintos

intestinos

dessas três luzes,

no canto da sacristia, a eucaristia de eu vê-las os corpos vivos delas são

velas elas,

santíssima pobríssima trindade matriarcal,

mãe e filha e avó,

a demandar de meu céptico asséptico tecido centrifugado, minha roupa em mim,

a

vertigem ambulante, do que há de inocência, na ambulância de minha sonolência,

na cama do luto da só puta luta, a demanda de mandar de andar de dar de ar de

arejar

os poros de a cor dar, em mim, a dor de minha dormência e a alegria

da clemência de minha demência,

na vulnerabilidade

absoluta,

delicadamente despojada, no pouco, pouquíssimo, no nada miserável a me pedir,

folha seca eu pisando no ruído do cisco da tarde a manhã de um convite

arrebata/dor

na zona sul, no sul da zona, na zona do sul, o verde do azul da tarde em sol,

solarizava

na sonoridade de meus passos a caminho de mim mesmo, dentro desse som diurno,

em que a

vida em mim me persegue eu mesmo no rumo do salário, do emprego, do sucesso,

da prisão em

mim do automóvel, da mulher burguesa, do conforto do lar, da roupa ajustada, da

tensão da atenção

ensimesmada dos amigos e dos inimigos e da corja de assassinos, em mim, de

mim, na ponta do

punhal o sangue meu, vermelho-vulva, invisível dor de mim, em mim cravada, no

calcanhar de aquiles de um bom dia

estúpido, sem mim, em mim, sem ti, em ti, sem ele e ela, em ele em ela, no olá, no

até logo, até

amanhã, nas costas dadas depois, antes e durante a mim por todos e por todas por

mim, na

indiferença letal no teto rouco e louco dos instantes, ah, os instantes vivos de

viver, mortos de

morrer em mim, no estrondo, na explosão, aqui, coração, ausculta, ritmando, em

mim, a

implosão do som, da buzina, do motor, a passar, a passar, a passar, tudo, a passar,

a passar, e eu

a passar também, passando, passamos, a passar, tudo que se faz visível, ali, perto,

concreto,

outras vidas, outros seres, a passar, a passar, passando, indo e vindo, em lugar

algum indo e

vindo pra lugar algum, pra outros lugares de ir e vir, outras formas de estar não

estando com

mãe, com pai,

com filho, com filha, com amigos, com colegas, amantes, com desafetos e com

afetos, com

conhecidos, com

desconhecidos, outras

formas de ir e de vir pra casa, pro banco, pro bando de nós na banda afetiva de

nossos

convívios, as máscaras e presenças e personas de nossos sonhos, em nossos

sonhos, o peso, o

peso, o peso, o peso, o peso, o peso, inacessível, intocável, inapreensível, do

pesadelo desta tarde, o cosmo

todo nas minhas costas na pressão do ar e dos ares desses outros todos a passar, a

passar, a

passar, passando, indo e vindo, vindo e indo, a pressão desse peso, o vento do

momento no

pensamento de meus gestos indo e vindo, a fazer coisa alguma, a fazer sem fazer,

sempre o

desnecessário fazendo e fazendo-me, sempre um outro a fazer no lugar do fazer

que deveria

fazer, no pêndulo de meus passos, a descer, a descer, a descer, depois de ter indo

e vindo, em e

de uma máquina bancária, e de lá tirado o dinheiro pra cerveja, pra cumprir o

assento e o

movimento da boca a falar por mim e do ouvido a escutar por ti, o ritual de um

outro ir e vir,

sem fazer, desfazendo, o dinheiro no bolso, no bolso o podre, a caveira, o

lamento, o choro, o

fedor, o desespero, o inferno, o aborto, a extinção das espécies, a fome do bebê

no colo, no colo,

no colo da escada, que descia, no colo, o bebê faminto, vi, e eu com a abstração

dessa fome, eco

eco eco eco eco eco eco eco das fomes que já senti, eco eco eco eco eco eco eco

eco da morte em

mim de meu sexo, da fome de meu tesão, da fome de meu cérebro, de em minha

pele a fome de

outras peles , no choro a olhar do bebê no colo de uma desolada desalojada,

desesperada,

destituída, desmaterializada, desterritorializada, desquitada, desprestigiada,

desmontada,

desencontrada, despudorada , destruída e reconstituída trindade feminina, ali,

pertissimamente perto, e tão longiquamente longe,

do banco do brasil,

era

mãe, era o bebê

filha, era

a avó, e todas órfãos, e bebês absolutos, chorando de tanto chorar, chorando de

tanto mais não

chorar o choro expulso de chorar, e o eco, nelas, o eco o eco de toda uma

humanidade

esquecida, perdida, impedida de fazer e de fazer-se, estilhaçada amaldiçoada, lá, no

começo da

posse, quando, entre mim e ti, quando, entre mim e mim, entre um qualquer mim e

um outro

qualquer mim, se

interpôs o dinheiro, a crueldade cínica e cívica e sifilítica do meu sem o seu, do

meu apesar do

seu, do meu roubando o seu, da posse, da pose, da sua dor, do eco, do eco dessas

dores todas, a

dolorir, a pungir, a rugir, a mugir, a fugir, a ruir minha muralha de não sentir as

minhas

infinitas dores em mim, com as infinitas indiferenças, em mim, de mim mesmo, a

me proteger de

mim, e do que, por mim, posso fazer por todas as dores a dolorir em mim, e em t

todas as outras

dores por aí, por aqui, por ali, e, agora, na urgência desses rostos femininos e

famintos, a me

chamar, clamar, conclamar, reclamar, proclamar, declamar, inflamar, difamar, amar

os

perdidos e

doloridos, e escondidos, e desistidos, e corrigidos, e implodidos, e desiludidos, em

mim, o rebento

desse oxigênio que em mim respira e inspira e expira o broto verde ( um sol e uma

estrela

alquimicamente modificados em lua e em terra numa dança sensual em que da luz

própria

estrelares a imprópria luz o rebento verde incorpora em si, trazendo, em si, o

brilho verde

encantado de tudo que, sem luz, como planetas no abismo, suga a luz de fora e a

interioriza, em si,

fazendo brilhar o diamante o dia amante, o do dia amante do instante a sorver

luzes de fora, em

sua gratuidade luzificada, distribuída para todos, como um sol nosso de cada dia, e

o diamante a

sorver, a sorver, a sorver, e a ecoar e a ecoar o ar desse rebento, desse broto

verde-macio,

exuberantemente frágil, na ágil fragrância do perfume do feto de nascer, do sexo

e do nexo, entre mim e mim, entre mim e elas, nelas, a luz entre de meu olhar, luz

de pus: reluz )

do diamante de todos os

meus momentos

de existir, desde quando ainda não era, desde quando ainda era a pressão de um

gozo, no vai e

vem de uma trepada, desde quando a pressão para eu existir ainda era antes, antes

da trepada a

vomitar o esperma que me deu origem e a disponibilizar, dador, o óvulo-mãe que

me confortou e

despontou pro dois impossível de uma diferença com a outra a criar,

acontecendo, a minha

diferença de nascer, desde antes dessa trepada, a pressão de eu nascer,

reverberação em mim de

todos os nascimentos nascidos neste planeta a nascer a nascer a nascer a nascer a

sempre mais

a nascer, em todos os poros peles de outros óvulos e sêmens, e a pressão então era

antes, pra eu

nascer, antes da trepada, de meu pai e de minha mãe, já estava no sonho nascente e

a nascer de

minha mãe e de meu pai, e do pai da mãe de meu pai e de minha mãe, e de todas

anteriores

mães e pais de meus pais, o sonho pressionado de eu nascer, lá estava, tatuado,

marcado,

carimbado, dado, amado, dotado, selado, decretado, colado, alado, safado, fadado,

calado, originado, urinado reinado de germens mijados, de eu

nascer, de eu, nesse rio heraclitiano, nesse mar de sangue, nesse furacão de

desejos, nessa estrada

sempre antes agora e depois, engravidada, como futuro, sementes de tramas e de

ramas e de lamas e de panoramas e de aromas linguais na orelha dos mananciais

errantes

amantes vitais

dialetais nesses trovões relampejantes, diante desses temporais

a nascer a

nascer a nascer

jamais amais um jamais mas sempre e sempre e sempre um dia a mais

errais e buscais nos poros clitoriais do

primeiro embrião,

no primeiro carbono, na primeira fotossíntese, no primeiro grão de oxigênio, no

primeiro

protoplasma incorporativo deste planeta, na primeira explosão e implosão deste

cosmo, na

primeira contenção e dilatação, fechamento e expansão, calor e frio, luz e sombra,

o sonho

deu nascer já lá estava, misturado, começo do

começo do começo de todos os começos, a começar e a começar e a começar e a

passar e a passar e

a

passar, já lá, o meu e todos os nascimentos, e pensamentos, e douramentos, e

surgimentos, e

acordamentos , e acontecimentos, e brilhamentos, e diamantementos de existir, de

mover e de

remover e de demover e de promover e de comover, já lá estava o meu começo e

o começo de

todos outros

começos a indicar que somos todos começos a começar juntos e juntos a acabar e

juntos a nascer

e juntos a morrer e juntos somos sempre juntos e juntos não tem saída porque

juntos sempre

começamos ou sempre acabamos e eu a descer aquela escada fatídica de um

banco o dinheiro no

bolso, a babel instalada, quando três outros começos me olham e eu as olho e não

quero ver os

seus começos como também os meus e, em mim, não quero enxergar os meus

começos, e insisto

ver os acabamentos de mim, a morte de mim, na morte ali, do começo daqueles

rostos femininos,

na escada do banco, meu deus, o que fiz, o que não fiz, o que comecei, o que

acabei, o que

abracei, o que recusei, quando aqueles começos me olharam, e me viram com a

morte de seus

começos no bolso, três notas de dez reais, pra eu beber, e esquecer, e esquecer,

com aquele

provável meu amigo, que esquecia e lembrava os meus começos e os seus

começos, e me

olharam,

nunca vi dor igual, em mim, no meu amigo, e naqueles três pares, olhos a me

olhar, o que eu

não faço

por

mim, e o que eu não faço pelo meu amigo, e o que ele não faz por mim, e o que

eu não faço por

aqueles olhos a me olhar, e, é o que me coloco agora, o, o, o, o, o, o, o, o, o, o, o,

o, o, o, o, o, o,

o,

o, o que eu não fiz, e o pior, o que eu não fiz ao fazer, tirei um maldito um real do

bolso, e dei, e

 

e dei, e dei, e dei, e dei, e dei, e dei , e dei, e dei a esmola de mim, a esmola que

estou

acostumado a dar, que me deram e que hoje dou, de mim pra mim, e de mim pros

outros mins,

dei a esmola de mim, que dou pra mim, a esmola intelectual, a esmola sexual, a

esmola

relacional, a esmola amigal, a esmola corporal , a esmola escutal, a esmola falal, a

esmola

cheiral, a esmola degustatival, a esmola tateal, a esmola abraçal, a esmola escrotal,

a esmola fatal, a esmola vital, a esmola de todos

os começos a

começar e a começar e a começar e a começar, a esmola dei, pra avó, e toquei, a

esmola de meu

toque, em sua cabeça, toma aqui, e ela sorriu a esmola rica, começo de todos os

começos

existidos, existindo e a existir, a esmola de seu sorriso banguelo, ali, perto de mim,

decifra-me ou devoro-te, decifro-me ou devoro-me, aquele sorriso banguelo, feliz,

feliz, feliz,

feliz, com o começo de um começo no meu começo de amar, eis a verdadeira

utopia, tudo mais é

farsa, a utopia estava e está naquele sorriso, a felicitar, aberto, disponível, a

festejar, aquele

começo, mesmo que triste, em mim, do infinito impossível de todos os outros

começos nascendo e

a nascer, sempre, enquanto houver começo, e a esmola que dei, que tenho dado,

que darei,

que cafajeste, que acabamento, que morte que oferto todos os dias pra mim, e pros

outros mins, e

que lamento em mim de um infinito de outros lamentos começados começando e a

começar, em

mim, do infinito de outros começos, em mim, meu deus, por que eu não as levo,

os muitos e

infinitos outros começos de mim em mim pra casa, por que não as dou abrigo, não

os alimento,

não as protejo, não morro pra elas começarem, por que eu não levei pra casa

aqueles três bebês, a

nascer já morrendo, natimortos, em mim também natimortos o infinito de

nascimentos abortados

desde o começo e o começo do começo e o começo a ecoar desde sempre na

curva dos começos e

na encruzilhada de todos os começos em mim trilhando o descomeço a morte

desses começos sem

levá-las pra casa, sem carregar aquele sorriso, beijar aquela boca, abrigar aqueles

sexos, sorver

aquela alegria triste como eterno começo abortado e resgatar, seqüestrar do

banco, do caixa, do

eletrônico momento, do sistema eletronizado, entronizado, o meu pouco dinheiro,

e desse pouco,

multiplicar o milagre do peixe, e desajustar, o eco o eco o eco o eco maquínico das

frias vidas das máquinas, como um vírus fatal, como um vírus vital, como um vírus

monumental, insurreicional, como um vírus virulento violento delicado momento

desse rebento a respirar e a expirar da tarde, a manhã enxertada, a manhã

insinuada,

manhã no que passa, passa, passa, passa, passa e fica fica fica fica fica, a

adolescente em três, conversando namoros e sexos nos sorrisos e nos gestos, e no

movimento, ao andar, das ancas, o bico dos seios debaixo do sutiã, e a

quintessência úmida do perfume herético de sexo nos poros das íris dos olhos do

sutiã a desejar desejante o desejado desejo desejando no gozo dos instantes, no

terremoto

labial dos lábios cavernosos das bocas ocas famintas das tintas de pão e vinho,

letras

oblíquas

das línguas porosas dos abraços rumorosos dos textos e digitais amorosos, e o

homem dentro do carro, sim, o homem, no

carro importado, sim, como eu, em maior ou menor medida, como um muito ou

um pouco de mim, o homem, um cafajeste, um hipócrita, um cínico, o homem a

passar dentro da máquina importada, o homem no leme a remar a remar a remar,

ao remar,

os dedos, a superfície epidérmica e lascívia dos sonhos de não ser o que tem sido,

de soprar os poros leitosos dos balões e dos seios e dos recreios dos recheios

cheios de esquecer os meneios de inusitados enleios do

que fica fica fica ecoa ecoa ecoa naquele

homem, o que dentro dele é vírus de liberdade, de graça, de beleza, de sonho, de

justiça, de manhãs em suas tardes de posses e de passos e de aços de ir e vir pra

lugar

algum, e as manhãs todas abortadas nessa tarde, a manhã daqueles seres em mim,

ofertando, pra mim, o risco corisco da morte de suas vidas, e de todas as vidas, a

dizer a gritar, a arranhar, a esbravejar, a lutar, a derramar, a sonhar, a dilatar, em

mim, o segredo sussurrado de tudo que é verdadeiramente novo, de tudo que é

verdadeiramente vanguardista, de tudo que é verdadeiramente passado, presente e

futuro, de tudo que é verdadeiramente ficcional, invenção, simulacro, epifania,

irrealidade, espetáculo, imagem dessacralizada, mito desmistificado, e mistificação

desmitificada, de tudo que é verdadeiramente mentira de outras mentiras, me

tira do falar

mudo, do escutar surdo, do olhar cego, do provar insípido, do tatear anestésico,

do

cheirar fétido de vícios de cheiros cheios de provar surdo de falar cego, de

escutar insípido, de tatear fedido, e de amar armado até os dentes de ódio pelo

amor ao que em mim ecoa ecoa ecoa ecoa ecoa o amor através de uma janela que

se abre pras gengivas, pras cáries, pro infernal paraíso da boca, pra garganta órfica

de um

dentro vazio de cheio de ânsia, de vontade de comer a comida, a ambrosia, o

estômago entre o enredo vermelho daquele caso de descaso entre tragédia e

dramas a história ruída e em ruína e em surdina, miseravelmente narrada através da

perda, da caída estragada de cada dente daquela boca a sorrir, abrindo a onda

furiosa do escuro do corpo molhado pela saliva ativa da onda lambendo os lábios

com a salinidade espumosa do eco do eco do eco do eco do genocídio e do

suicídio e do parricídio, e do fraticídio, e matricídio , e do altercídio, e do egocídio,

e do amigocídio, e do gozocídio e do ficticídio movimento a inventar da língua a

deslizar entre um lado e outro a palavra pá dessa escavação no cemitério e no

túmulo do que, em mim, é eco é eco é eco eco eco eco eco eco é covardia

é cor

vadia

é cor cor cor cor cor é coração do dia já indo nessa tarde, nessa sempre tarde

nossa, a nos ludibriar, endiabrar, enganar, equivocar, evocar, ovacionar, no sol se

pondo, o horizonte menstruado é aborto de um novo dia que supomos fecundado

de alegria, na tristeza de confundir monotonia com politonia, tarde com manhã,

morte com vida, fim com começo, noite com dia, que ia, que ia, que ia, que ia,

que ia que ia eco eco eco eco eco eco eco da miséria que ia que ia que ia queria

que ria banguela nessa janela oca oca oca oca eco eco que ia que ia que ria que

queria queria o imperfeito tempo de ser e de estar passados, sendo presente e

futuro, e fruturo e monturo e fratura que atura e que atua como

sempre imperfeito, sempre rarefeito, sempre desfeito, sempre

refeito de feitos e de eitos dos fetos das netas e dos netos desses ecos ecos ecos

ecos de morrer e de viver, pois viver sem morrer pra outros víveres vísceres

viveres, em mim, em ti, e nelas, na filha

da filha, na mãe da mãe e na mãe do meio, a filha ilha ia na mãe deste presente, a

perder o

conter de rever e de perceber, no despoder desse ser a acontecer fora da trama do

drama dessa tarde a tecer, que o que fica fica fica fica é justamente o que passa

passa passa, eco eco eco eco,

que deixamos passar passar passar passar passar, e nos poros foros dessas fores

flores,

pássaros a voar,

nascemos de não matar-nos e de não atar-nos

( no barulho calcante calcando de meus pés a pele do rosto do desgosto do gosto

na falha que olha na folha do dente da tarde, que arde ao arder à pressão à pressão

à pressão, alta, do peso do peso do peso dos pés)

á sedução do não

 

*Luís Eustáquio Soares é poeta e professor,
graduado em Letras, Mestre em Teoria da Literatura
e Doutor em Literatura Comparada. Já publicou
Paradóxias, BH, Orobó Edições, 1999.

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