Justificativa Maiara Gouveia
Depois que me apaixonei por Lars Von Trier, evidentemente, leio tudo o que me cai
nas mãos sobre esse homem e sobre sua obra e percebo que entre o que se vê e o que se
diz há uma discrepância intrigante: existem críticas que fogem totalmente do que pode
ser apreendido nos filmes, que vão para lugares extremamente inusitados...quando consegui
me desvencilhar do inconformismo e ser fria perante tanta tontice, notei que isso somente
corrobora o caráter distintivo desse cineasta que provoca reações extraordiárias e
mega-ordinárias rsrs nas pessoas. Pretendo escrever um texto mais bem cuidado e
também cuidadoso a respeito dos filmes Dogville e Manderlay e sobre Washington,
quando for lançado e eu puder assistir. É claro que é um pouco de pretensão, afinal,
quero refutar comentários de seres que realmente entendem de cinema com ilações de uma
mera representante de platéia com uma bagagem de mão. Por outro lado, sei que tenho a
virtude de olhar com os olhos e não com 1 milhão de opiniões prévias e de sentir com
entrega, totalmente presente, assim absorvo tudo o que posso e confio muito no que advém
desse método de apreensão, sujeita a falhas contornáveis e sempre menos arrogante ao
lembrar dos outros lados do cubo dentro do poliedro. Bem, segue um pouquinho dessas
reflexões, induzidas pela estúpida necessidade de responder críticas
estapafúrdias à grande obra (úia que tom místico!), sinto a necessidade de falar muito
ainda, desculpem essa "coisa viva" e aí vai uma parcela mínima dessa
mórbida, de enorme, vitalidade:
E OS CÃES LADRAM AO SE OLHAR NO ESPELHO, POIS O
INIMIGO É SEMPRE O OUTRO
Dogville é um filme contundente e ácido. Lars Von Trier conseguiu
exatamente o que queria:
sacudir as pessoas,
fazê-las olhar para aquele universo pequenino concentrado em uma cidade fictícia (bem
representada pelo cão, desenhado com giz), um universo minúsculo como a alma de muitos
seres ditos humanos, mas que levam suas vidas como cães, unicamente preocupados com suas
necessidades básicas e instintivas: sobreviver (para isso lutar com os dentes
arreganhados e marcar território), sobreviver (para isso explorar o próximo,pois a
sobrevivência só é garantida quando o outro é subjugado), sobreviver (ou seja, buscar
prazeres imediatos que permitam suportar a vida) entre outros desdobramentos da vida
animalesca daqueles que se engalfinham, que se movem dentro de sua estupidez e hipocrisia,
etc, etc. Grace não é menos complexa, personifica a arrogância, mas também a
limitação; personifica o poder, mas também a impotência; às vezes personifica a
América, em outras a essência humana. A baixa iluminação, a escolha de um cenário
parecido com as montagens para teatro de Brescht, tudo isso acentua o clima focado nas
nuances de comportamento das personagens e intensidade do enredo que se desenrola de
dentro para fora. No fim de tudo, gostar ou não gostar do filme é pessoal, mas
respeitá-lo me parece fundamental. Tenho certeza de que muitas pessoas, como eu,
ficaram em silêncio algum tempo no final do filme e verão o silêncio ecoar de novo ao
pensar nele, pois se trata de obra da mais pura genialidade.
Ass: Lars Von Tiete fundamentalista
Tática de persuasão II (poucos cansaram das
velhas mensagens de sempre
) para os interlocutores tipo B
...tipo orelha de best seller (funciona com os leitores da Veja):
Erotismo? Humor? Ironia refinada? Crítica explícita? Abordar preconceito, burrice,
sensibilidade e dilemas humanos de forma única? Genialidade? A realização estética
perfeita para cada discurso? ( aí qualquer
um deveria olhar
desconfiado, para que tantas prateleiras, meu Deus!?!)Mas sim, respondo sim: Lars Von
Trier, of course. The mega mago!
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Maiara Gouveia tem 22 anos e é estudante de letras da USP.
maiaragouveia@gmail.com
http://maiaragouveia.blog.uol.com.br
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