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A ÚLTIMA VISITA DAS TRÊS PARCAS

 

I

não ouço o céu
de laca podre e poro púrpuro
dizem-me que vem
com sua boca faminta
em lufadas de carmesin
sobre a angústia de nossos dias

II

alto lá viajantes destas urbes cinzas
teus direitos não pagam tuas dores
ouça pela última vez o sino sujo de musgo
que vaticina teu destino

o velocino de ouro
que recolhe as almas deste mundo
já quase completo
te espera à porta
para tua última viagem...

Ainda não pagaste tuas dívidas
teus erros e tuas dores
tua valise não terá espeço para tanto

...quiseste ter rumo
que tua voz fosse ouvida

Agora já
apresse
o velocino de ouro seguirá
surdo em sua viagem...

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