Maximino, uma biografia  
Luiz Edmundo Alves

Maximino Casassanta Latorre nasceu em 1956  em Ouro Fino, Minas Gerais.    Ainda criança veio para Belo Horizonte com a família. Formou-se em Artes pela   Universidade  Federal de Minas Gerais e Comunicação pela PUC/MG. Realizou diversas exposições, participou de salões e ganhou alguns   prêmios. Sonhador, arredio aos jogos do mercado, de temperamento nem sempre cordato, queixoso dos críticos, totalmente consciente da qualidade de seu trabalho. Maximino não obteve   em vida o reconhecimento que mereceu. Era desses artistas românticos, que vêem a Arte como   uma mãe generosa, capaz de nortear os caminhos e as escolhas fundamentais da vida.  Por sua dedicação intensa à arte, por sua crença impertinente na força   da pintura, no sentido simbólico da forma e na força produtiva do artista, seu trabalho merece ser revisto. Era um artista-operário, incansável.  Talvez porque só lhe restasse acreditar na arte como força redentora,  revolucionária,  capaz de dar um sentido mais humanista à vida dos homens no  final do século. Servindo-lhes, também, como um  fio terra.   
Maximino  deixou uma extensa obra, composta de pinturas a óleo, aquarelas, desenhos   e  muitas cerâmicas. As frágeis cerâmicas que ele tanto amava e tanto reconhecimento lhe trouxeram.  Estava sempre pintando, ou desenhando. Havia papel, tinta e lápis sempre à mão,  quer fosse na mesa da cozinha, quer fosse na prancheta, na estante ou na sacada. Pintava até nas  paredes. 
Nos desenhos e nas pinturas dois temas predominam:  a paisagem e a figura humana. A paisagem é carregada por pinceladas expresssionistas, puramente poéticas, representativas de um lugar que faz sonhar pela força dos tons e    pela paz que emanam.  Nas figuras humanas há sempre a representação da angústia, da inquietude e da interrogação. Continua aqui a viva pincelada expressionista, colorida,    agora representativas das terríveis inquietações humanas.  Com as cerâmicas ganhou prêmios nacionais, expondo-as em galerias de São Paulo,    Brasília e Rio. Nelas Maximino depositou toda a sua originalidade, revelando grande domínio da técnica. O trabalho com as cerâmicas era o lado pesado, "operário" como ele costumava dizer. Uma tarefa que exige grandes esforços físicos, desde o preparo do barro, passando pelo magnífico trabalho de modelagem e  concepção das formas, até a difícil tarefa de queimá-las. A recompensa era ver aquelas belas peças saírem do forno. Assemelham-se a dinossauros, ou a dragões e são de uma fragilidade que dá medo. Um dia filmei a abertura do forno para mais uma leva de criaturas. Emergiam em meio a uma nuvem de  cinzas, sendo tratadas por ele como seres, criando uma cena própria de seu universo...  é possível que tais criaturas tenham existido para além  de sua palpitante imaginação. De qualquer forma,  é tudo uma revelação de  seu imenso talento e de sua personalidade angustiada.
Maximino morreu em acidente de automóvel  em agosto de 1996. 

 

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