CORPO EM TRANSE
Milton César Pontes

Julio Saens

meu corpo em transe
goza refinamentos sobre a planície fértil que cobre teu ventre
outra carícia emoções complexas delicadezas
sensibilidade que sussurra perfumes
e arrepia a epiderme das fábulas

me aprofundo


fecho meus olhos para sentir o aroma amadeirado de suas palavras
que balbuciam origens na maciez frutada das uvas
pressão que comprime nossos lábios

e nossa respiração produz
ciclone que ruboriza toda a derme
espécie de delírio acessível ao prazer tátil
e faz flutuar aquilo que tento ocultar
insensato de aspirações que elege o amor

o amor da carne


amar como amam os ingênuos
não ouso a carícia para recriar o afeto
o romântico se imortaliza na arte
e a fúria da paixão esfola os corpos na busca redentiva

anseio estultícia diante dos ideais nobre do amor


seu corpo é uma igreja

casa de oração enfeitada de lírios

lugar que desejos vislumbram o amor
encardenação narcísica que tem para si a maravilha

e

produz sons no espelho alucinógeno


retiro a máscara
de meu corpo de minha alma
escandalizo
desejo e ofereço ao outro meu imaginário
a fantasia

ficção barromeana do real
um suposto saber de epiderme

febril


Milton César Pontes, 36, já editou 11 livros de poesia. Todos vendidos no mano a mano pelas mais diversas cidades do país, somando-se mais de 30 mil exemplares vendidos. Milton considera-se um poeta de rua e gosta de falar seus poemas em público. Atualmente reside em Belo Horizonte. Os poemas acima fazem parte do livro Corpo em Transe, Anome Livros, BH, 2004. barracodecesar@hotmail.com


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