poemas de
Regis
Gonçalves

 

 
Maximino
Maximino

 

três poemas negros

1.
raízes

ouro
pret
oro
uop
ret
oror
prprp
eteto
mina
luanda cabinda
benguela
menina

2.

Zumbizonga

 

Nem Irene
nem Maria:
Efigênia, de pia.
Cata dura
dessas lavras
novas minas.

Guerrilheira
mãe coragem
congadeira
quilombola.

Carabina.

3. 

Áurea diamantina

 Chamar-se Áurea em terra de Chica
e morar na Palha.
Pedras faíscam
entre porcos, no lixo.

"Ai de ti, terra ímpia", o pastor
invectiva.
A lama no entanto
arrasta
os propósitosmais
convictos.

Aurífera, diamantífera
prolífera
mãe de cinco negrinhos.


Sol ardente

disse-lhe:
o amor é feito disso
- diabruras
(o sol
rosnava na janela
e nus
dormíamos)
admirei-me ao vê-la
linha fria
desenovelar-se em mim
como ternura
do amor de nós de tudo
o que sabíamos?
mas havia
a tinta do dia
a descascar-se em luz
sobre seu púbis.
 


Nadadora

Ela é da água
e eu faço
água todo o dia.
Entre uma
braçada e outra
olímpica
ela me abraça.
Duro mergulho
na massa líquida.
Afogo
em seus afagos
de borboleta aquática.


SONDAGEM

Ávida fala
palavra fálica
fúlgida úvula
oculta em luvas
nuvens impúberes
galáxias túrgidas
sumos agrestes
lustres e ares
de sois e música
cristais celestes
anjos astrais
seus ouropéis
farpas e andrajos
incontinentes
de alfas e ômegas
abismos mais
fundos de mundos
tontos recônditos
sondam em vão
a alma anônima
do animal homem
leão indômito
sexo e assombro
de lobisomem.


Regis Gonçalves é Jornalista e poeta
regisfirst@gmail.com