Eu que sempre fui apaixonado por papel, tipografia,
fotolito, letra-set...
Que amo o cheiro de livros, tintas, revistas, jornais
novos e velhos...
Que discuto diagramação e projetos gráficos de
cartazes, panfletos...
Que colecionei durante anos folhetos recebidos nas
ruas...
Que visito gráficas como se templos...
Que tenho ciúmes dos livros quando empresto...
Que lamento aqueles de orelhas dobradas e rabiscados...
Que os encapo como nos tempos de colégio...
Que tenho dó de jogar jornais no lixo...
Que queimei pestanas nos últimos 30 anos em milhares de
textos diversos...
Que datilografei, imprimi mimeógrafos a álcool a tinta
off-set de mesa dobrei, grampeei, aparei, envelopei,
subscritei e vendi mano-a-mano meus livrinhos de
poesia...
Que resisti por anos a comprar micro, instalar internet,
aprender a usar...
Que todo dia olho a caixa de correio ansiando por
convites, propaganda, livros, revistas, carta de amigo
(só as contas continuam chegando ali)...
Que, revisor de editora, passava mais tempo na gráfica e
no departamento de arte...
Estou ainda martelando os dedos na minha fiel Olivetti
Studio 44 para estar agora nu...
somente bytes na sua tela...
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livros:
entre 79 e 85, sete, de poemas
em 91, Diz Xis, novela
em 92, Cada um cada um, textos
em 97, 79/97, poemas
em 2000, Materiaes -prosa (edições Dubolso)
zines:
entre 76 e 82, O Cancioneiro e Pro Domo Mea
poster:
em 78, SO BLUEs
antologias:
em 85, Revista Literária da UFMG
em 86, Novos Contistas Mineiros (Mercado Aberto),
Contos Jovens (Brasiliense)
em 2001, Geração 90 Manuscritos de Computador
(Boitempo)
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