Tanto
OS TREIS CAVALO INCANTADO
Seu Chico, de Turmalina
Existia treis é... irmãos. Um sinhor tinha treis filhos, intão o
cara era pobre, ele tinha treis filhos : um cum nome de Jusé, oto cum nome de Juão e oto
cum nome de Manel. Intão Manel era um cara assim mei parado e er o mais novo
. Eles tinha ele como se fosse um cara... mei... bobo, num sabe? Mas ele numera bobo!
Intão... e ele sempre ficava em casa... e os pais morrero, eles ficava... ficava os
treis. O Manel é que cuzinhava, cuidava das coisa, mas ele era parado, num saía. O Jusé
e o Juão que saía sempre por aí na cidade.
E nessa cidadizinha tinha um sinhô lá. Era o rei. Ele tinha üa filha
muito bunita que era o idlo dele. Intão essa moça erum incanto. Muito, muito linda
mesmo. Intão essa moça num saía de casa, ela ficava presa, ela saía de ano em ano.
Ficava, passava treis dia assim, na janela do... prédio, pra rapaziada contemplá a dela.
Intão vinha rapaz do ixteriô, vinha gente de toda circunvizinhança pra vê a... a
moça. Naquela épuca, a nutiça curria, eles avisava e vinha a rapaziada pra vê. E... e
o rapaz que tirasse üaliança do dedo dela ela dava em casamento, aquele rapaz que
tirasse üaliança do dedo dela.
Mas o prédio era muito alto, num tinha condições de
nimguém tirá aliança do dedo dela, e o rapaz que passasse a cavalo, de levá a
mão e tirá. Que é lógico que nimguém alcançava... o prédio alto lá. Num
tinha animal daquela altura pra que pudesse o rapaz passá lá e tirá aliança do
dedo dela.
Acuntecimento: Que todo ano a moça já tava ficano já
didade, sem casá purquê o pai só davela em casamento nessas condições, e
num tinha condições de rapaz tirá aliança do dedo dela.
Acuntecimento: Que num ano foi pra lá esse Juão e o Jusé, esses
animaizim deles, montaro o cavalo e Manel ficô em casa cuidano da cumida. Intão eles
ficava... passava o dia todo lá. Quanto era de noite vinha pra casa e noto dia voltava.
Era treis dia, ela ficava lá a dispucição é... do... do povo pa vê a beleza da moça.
Acuntecimento: E o Juão e o Jusé recumendava muito o Manel :
-Óia, cê num dexa criação intrá nossa lavora aí, não!
Eles morava num sítio e cuidava da lavora lá.
-Num dexa criação istragá, não. Se não, cê paga para gente.
-Tá bem, num dexo não! Cum fé em Deus num entra criação i não.
Quando eles saíro que tava bem lá na cidade contemplano a beleza da moça aí... Manel
tava fazeno a cumida, quandele viu sim um barulho que vinha da lavora dele.
Lá tinha treis cavalo, lá no mei da roça. Aí, um preto, um amarelo e um branco. Aí os
cavalo quebraro milho, cumero, devoraro o milho, num sabe? Ele correu dipressa e
culheu treis ispiga bunita, treis ispiga. Dicascô, dibulhô e deu pra... pra... os
animais. Deu üa e falô :
- Pelo amor de Deus, vão imbora e num istraga minha lavora, não, que
meus irmão me mata... se eles chegá Qui e topá a lavora istragada sim.
E os cavalo respondero pra ele (os cavalo era incantado) :
-Num mata, não, Manuel!! Mais nimguém vai istragá mais, não!
Cumero aquelas ispiga e foro imbora. Aí o Manuel ficô caladim, num
falô nada pos irmão dele. Ês chegaro à noite, tomaro banho, jantaro. Aí...
detaro e tão curvesano, né?
-Mas... já pensô? Nimguém consegue tirá aliança do dedo daquela
moça! Quequilo? Ele já fez isso pa nimguém casá cum a moça . Aquela moça num
casa, não! Num vai casá nunca. E num tem condições! Um prédio alto daquele! E
animal ninhum... a gente em cima do animal... o cara ficá em pé em cima do animal...
Mas num tinha possibilidade de... de nimguém alcançá a... a... mão da
moça pra tirá aliança. Então é... eles passava pra lá pra cá, mas num
cunsiguia. Aí pelejaro por lá o dia todo e voltaro e foro imbora. Qundo chegô em casa,
deu a noite, eles jantaro, deu a noite, deitaro e ficaro ali, cunversano, né?, contano
causo.
-Aquele moço, aquele cara já fez assim pra nimguém casá cum a filha dele.
Ah! Num tem animal ninhum que... que tem altura suficiente pra que qa gente passe lá e
tire aliança do dedo dela.
Acuntecimento : Aí quando foi noto dia aí vem os... vem os... os animais,
chega lá treis animais : um preto, um cavalo preto, um amarelo e um branco. Aí , ês já
tinha recomendado que num dexasse criação istragá a lavora dele. Aí, quando... o Manel
tava fazeno almoço, quele viu aquele barulhão assim no mei da roça, aí, quando
ele saiu, tava lá treis cavalo istragano a lavora. Correu lá, quebrô treis ispiga
bunita, num sabe? Dicascô ela, deu pra eles. Falôsim :
-Pelo amor de Deus, num istraga minha lavora, não! É, vão bora, se
não, na hora que meus irmãos chegá e... vão me matá, vão me batê.
-Não! Podexa, Manel! Num acuntece nada. Isso num vai fazê falta,
não! Pode ficá tranqüilo.
Aí os cavalo cumero as tries ispiga e foro imbora. Quando foi no oto dia,
é... que o Manel tava fazeno o almoço, chega outra vez os cavalos, num sabe? O branco, o
preto e o amarelo. Aí, quando eleviu aquele barulhão, correu lá, era os mesmo
cavalo. Correu lá, quebrou mais treis ispiga, dicascô as ispiga e deu pra eles. Falô
sim :
-Vão bora, pelo amor de Deus, num istraga, não, que meus irmão me
mata.
Aí eles cumero a ispiga, saiu e foi mbora. Quando foi no trecero dia,
é... fizero a mesma coisa, num sabe? Quando os cavalos chegaro, aí tava ali cumeno
no mei da lavora, o Manuel foi lá, quebrô mais treis ispiga, vei, dicascô pra eles,
falô assim :
-Pelamor de Deus, vãobora, se não meus irmãos chegaqui e
me mata.
Aí ês falô sim :
-Num tem pirigo, Manel!
Aí ês cumero. Quando terminô de cume, o cavalo preto veio e falô cum
Manel :
-Manel, o dia que ocê tivé maió necessidade de qualqué coisa, você sai
assim no terreno e grita assim: Me vale, rei dos cavalo preto!
Ele disse :
-Tá muito bem.
Aí o cavalo amarelo vei e falôsim :
-Ói, Manuel, o dia que você tivé a maió necessidade de qualqué coisa,
ocê sai no terreno e grita : Me vale, rei dos cavalo amarelo!
Ele disse :
-Tá muito bem.
E o cavalo branco veio e falô a mesma coisa.
Ele disse:
-Tá muito bem.
Aí, dispidiro do Manel e foro imbora. E o manel guardô esse segredo um ano, num
sabe?
Os irmão dele chegaro e ele num contô pra eles. Guardô segredo um ano. Quando
foi um oto ano siguinte, na mesma época da moça saí na janela pra rapaziada contemplá
beleza dela ou... ou... e tirá... liança dela, mas num cunsiguia. Então eles, o
Jusé mais o Juão saiu e foro pa cidade e o Manel ficô. Aí, quando... o Manel tava
fazeno a cumida, lembrô. Falô :
-Uai! Que queu tô fazeno aqui que eu num vô lá? Pois aqueles cavalo falô
que o dia que eu tivesse qualqué necessidade que eu gritasse por eles. Saiu assim no
terreno e gritô :
-Me vale, o rei dos cavalo preto!
Aí quand ele viu, aquele trupé lá vem ; pa la, pa lá, pa lá, pa lá!
Quandele olhô,pontô aquele cavalão preto lá. Chegô e cumprimentô Manuel e o
Manel respondeu, falô :
-Que que cê deseja, Manuel?
-Uai! Eu desejo é... é casá cum a filha do rei, né? E eu lembrei que cê tinha
falado que o dia que eu pricisasse, queeu gritasse por você, intão eu gritei :
-Então, que... que que te falta, Manuel?
-Ah, me falta tudo, qu eu sô pobre, num tenho nada. Num tenho nada, nem ropa
num tenho, num tenho calçado, num tenho nada. Num tenho dinhero nem nada.
Intão ele falô sim ;
-Me aguarda uns cinco minhutinhos que eu vou dá um jeito em você.
Essecavalo saiu, daí uns cinco minuto o cavalo chegô. Vei trazeno dinhero, vei
trazeno ropa, vei trazeno calçado, tuaia de banho, vei trazeno sabonete pro Manoel tomá
banho. Aí, tinha um riberão pertim da casa. Ele falô sim :
-Agora, cê vai lá tomá seu banho, troca de ropa e vão bora.
Trocô de ropa e vei, montô nesse cavalo. Qunado ele montô nesse cavalo,
colocô a perna nesse cavalo... O cavalo já era grande dimais, numsabe? O cavalo foi só
suspendeno, suspendeno, paricia que ia tombá, num sabe? Aí suspendeu, foi lá naquelas
altura, lá perto das nuve. Aí, quando saiu : pa la lá, pa pa lá, pa la lá,
naquele rompante.
Quando a turma lá na cidade... que foi aproximano, que a turma cumeçô a
iscutá, obiservô o trupeço do animal... num se viu cavalo ali.
-Quem será? Quem será?
Quando ês olharo... aquele cavalão bunito, preto... num sabe? E aquele
rapaz em cima e nimguém cunheceu o Manuel. Os traje do Manuel era outro, num sabe? Então
ficô todo mundo incantado, olhano.
Uns olharo só o cavalo, os oto olharo só po Manuel e nimguém cunhicia o rapaz. Ele
chegô balançano a mão assim, cumprimentano o pessoal, num sabe? Cumprimentano o povo. E
passava pra lá, passava pra lá e balançava a mão assim pra moça, num sabe? A moça
chegava fazeno assim cum a mão, para ele tirá liança ele nem fez de conta
daquilo. Dexô poto dia dia seguinte. E passô pra lá depois falô :
-Agora, vô tomá um refrigerante aqui. Vô descê, vô descê.
Desceu. Quando foi desceu. Aí o cavalo foi abaxano, abaxano assim, e deu
dele descê. Ele desceu. Ele apiô e dexô o cavalo assim na porta do bar. Foi lá, pidiu
lá refrigerante, ofereceu bibid a todo mundo. Quem aceitô bebeu, bebeu, bibia o
que quiria lá: fanta, coca-cola, guaraná, pinga. Otros aceitava cigarro.
-Cê paga um cigarrim pra mim? Eu quer um cigarro, que eu tô sem
cigarro aqui.
Ele pagava cigarro pa todo mundo que quiria e assim por diante, tinha muito
dinhero.
Acuntecimento: Quando terminô, ele montô no cavalo, foi bora.
Num tirô aliança, não! Dexô pro último dia. Aí, quando na casa dele, ele
pegô a ropa, tirô a ropa, trocô a rupinha velha dele, num sabe?, e guardô a ropa pros
irmão dele num discubri. E o cavalo foimbora, num sabe? Ele agradiceu o cavalo e o
cavalo foimbora.
Quando foi no oto dia, nas mesma hora, ele chegô no terreno e gritô :
-Me vale, o rei dos cavalo amarelo!
Aí, quando ele viu aquele trupel : pa lá, pa lá, pa lá, pa lá, pa lá,
pa lá... Incontrô aquele cavalão marelo, num sabe? Foi chegano e cumprimentô ele
:
-O que é, Manuel, que tá te faltano?
-Num falta nada, não! O cavalo preto troxe pra mim é... um terno preto,
ontem. Troxe dinhero...
-Não! Eu troxe também pra você.
Troxe um treno pra ele amarelo, troxe dinhero, ele troxe tualha de banho e
deu para ele bastante dinhero. Ele imbolsô nesse dinherão e montô nesse cavalo, num
sabe?, e foi mbora. E quando chegô lá naquele cavalão amarelo, num sabe?,
todo mundo...
-Mas, óia, é o dito rapaz! Ele mesmo! Mas o cavalo hoje é um amarelo.
Ispia po cê vê! Aquele rapaz... num é daqui, não! Num é dessa região nossa aqui,
não! Ô intão aquilo é incantamento, num é pussive üa coisa daquela!...
E o cavalo... aquele... diante assim, paricia automática. O cavalo baxava, o
cavalo... suspindia, e, quando ele saía, ia só suspendeno, levava ele nas... nas nuve.
Qué quilo? Üa coisa dimpressoná. Aí ele num quis tirá a
liança do dedo da moça. Aí ele desceu, bebeu lá refrigerante, deu refrigerante
todo mundo... lá, comprô cigarro pra todo mundo no sigundo dia e dispidiu do povo e
foimbora.
E a moça já tava...já doida po rapaz tirasse aliança do dedo dela.
Quando foi no tercero dia, nas mesmas hora, aí o Manel já vei no cavalo branco. E
a noite lá, os irmão dele chegava lá, ficava ;
-Que home seráquele? De onde será? Ninguém cunhece aquele cara?
E o Manel iscutano, né?
-Num é dessa região aqui, não! Ninguém cunhece aquele cara, não! Aquele só
podi sê muito... deve sê riquíssimo.
-É, aquele home vai casá cum aquela moça, o ano que vem nós num vamo, num vai
tê aquela festa mais, cê vai vê. É hoje quele vai tirá aliança do dedo
dela.
Quando foi no oto dia, é... é, no tercero dia, lá vai Manel... Quando ele saiu
no terreno, gritô :
-Me vale, o rei dos cavalo branco!
Quando apariceu aquele cavalão branco : pa lá, pa lá, pa lá, pa lá! E, quando
chegô, já foi cumprimentano ele e já trazeno um treno branco pra ele, dinhero, tudo pra
ele... E manel só foi trocano essa ropa e montô nesse cavalo, montô nesse cavalo. Esse
cavalo foi suspendeno e levô Manel lá nas nuve e partiu cuesse Manel. Manuel foi chegano
lana cidade e a rapaziada ficô de quexo caído olhano para Manuel. Aí manuel
passô pra pra lá üas duas, treis vez, passô pra lá, pra cá, balançava a mão pro
pessoal, foi passano assim. Na quarta vez, ele levô a mão no dedo da moça. Nossa! Mas
quando ele tirô essa liança do dedo da moça, mas foi fogos nessa cidade! Mas foi
aquela festança que eu nunca vi tanto foguete. A cidade iscureceu de fumaça de fogos.
E o rei logo foi saíno e já foi convidano o povo pra festa da moça. É... ele
já tava mais o menos discunfiado que... que... aquele rapaz ia casá com ela, cum a
filha dele. Priviniu-se, num sabe? É... já tava tudo arrumado, lá no jeito. Muito
assado, muita coisa, muita bibida, é... e o povo juntô e foi cumê e bebê. E o
sacerdote vei fazê o casamento, o iscrivão vei fazê o casamento, num sabe? Nossa!
E o Manuel... Manuel saiu e dexô as panelinha lá... num sabe?
Pegô üa das panelinhas, colocô isterco de animal e cubriu. Ele tampô a panela e dexô
a panela, de abuso pos irmão dele, num sabe? Quês abusava dimais dele. Ele falô
sim:
-Quero mostrá pra eles que, que eu mesmo que casei cum a moça.
Aí, quando eles chegaro lá que foro oiá a panela, falô sim :
-Cê sabe... quedê Manuel?
Já gritaro Manuel.
Aí o Juão olhô pro Jusé, falô sim:
-Mas de que jeito, moço? Manuel?! Num podê sê Manuel, não, moço! Num
pode sê Manuel, não! Pois Manuel num tem nada! Aqueles animal! Ond é que Manel
foi achá aqueles animal? Mas que... Onde tá Manuel? Só se Manuel morreu, tá por aí,
nessas bera de mato por aí. Num é pussive!
-Aquilo é Manuel!
-A ropa do Manuel aqui! Ispia pocê vê! A ropa do Manuel aqui.
Saíro, foro lá pa cidade. Chegaro lá, foro passá, sabê a fundo.
Chega lá era o Manuel irmão dele.
Aí, mas foi aquela festona, aquela aligria! O rei mandô fazê rodage já
pra casa... pro sítio do Manuel. É... num compensava não, mas elemandô fazê rodage,
pra ele passá lá de vez em quando, os irmão dele i etc. e tal.
Nunca vi tanta coisa, num sabe? E foi aquela festona! Doce? Mas tinha oto
pote de doce, fui, eu quiria trazê procês...
-E o que aconteceu cum esse doce?
-A mesma que accunteceu cum outro. Meus amigo, num vão cumê esse
ingasga-gato nunca!
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