Julio Saens

poemas de

Simone de
A
ndrade Neves

 

Batismo

Manhã de junho
Eu, criança-objeto,
dou as mãos ao
menino boina-bombachinha
e seguimos nós,
eu e o menino,
a caminhar por uma rua disforme
paralelepípedos angulares,
solares fios dos cabelos infantis,
sem trocar palavras
seguíamos no percurso atemporal
e apertávamos as nossas mãos
nas leves descidas.
Sorrisos entreabertos nos tropecinhos.
A rua terminou no azul
E nós, eu e o menino,
mergulhamos no mais
silencioso e nevrálgico
dos países: o dos Andrade.


Formatação

Caibo dentro de
uma lata de sardinha.
Ao olhar de fora
verás o conteúdo: verde.
Como Cabo Verde. 


Onça
Segregada,

Dorme mariposa,
a suçuarana.
Ausente o olho macadâmia:
grunhidos.
Dorme a fada
no instante rosa.
Rosa,
furta-cor reluzente!
 


 
Alquimetria

Balorir
Balorenzo

Barretura
Barroedo
Barritante
Barrante
Barroio
Barraza:

Bastardas


Rendição

Olha lá a sair
pelos poros, pelos.
A escapar por entre os dedos
na toada dum feitiço
O corpo por todas as extremidades:
refugos.
Olha lá a deslizar
a bandeira, o mastro:
desfralde.
Olha lá vagarinho
a descer o morro.
Olha lá sumindo:
cerração.
 


Minuano

Do silencio arrestado eu tiro os saltos
para não fazer balbucio
E no escuro, pé-ante-pé
absorvo o cheiro
dos armários amadores.
Prenso a mão e prendo um ai.
Rajadas frias e quentes transpassam meu corpo.
O meu andrade diminuto em minueto foge
E desordena todas as letras.