sueli miranda

 

POEMAS SUBTERRÂNEOS

Sueli Miranda

 

CARSTE

o pôr-do-sol no vale arde
ao badalar dos sinos nos santuários  

o gavião pinhé varre o céu  

termente a lua bebe o lume das latas largadas
betume de afeto rejunto
na lapa nova pedra formosa

sueli miranda
o gavião pinhé varre o céu


BAMBUÍ

quarenta cientistas veludamente imersos
na delicada claridade dos mundos reversos

(audaciosamente indo
onde nenhum tatu jamais esteve)

e a água límpida a vasculhar labirintos
estreito laço entre corpos e pedras
no braço úmido azul da caverna
sueli miranda


POEMA SUBTERRÂNEO

 

no avançado da galeria
a ressurgência insone esplêndida
sob a luz do acetileno
inverna

cávea
água
femineral
orvalha

súbita nudez de rio


 PAISAGEM  

no freezer cumbuca shopping center
salamaleque privada semelha colonial penico

as mais palavras folhagens
os mais silêncios litogravuras
eu verde eu pássaro eu passo
sueli miranda

 


POEMA

tomar o cálcio
e deixar inteira a ossatura boa

tomar o fósforo
e deixar batuta o tutano verve

tomar a palavra
e deixar lúcida a caveira bela

pelos milênios que virão

 


 

ADMIRÁVEL MUNDO OVO

 no fundo do novo

encontrar

algum conhecido

Oo oo o Ooo oO

 


ERRATA

ONDE SE LÊ      a pedra d’escrita

LEIA-SE           a pedra rescrit a

ONDE SE LÊ &*.

LEIA-SE


Sueli de Melo Miranda nasceu em Belo Horizonte, é poeta, psicóloga, mestre em Estudos Literários/Fale/UFMG. Publicou: Lyra de Alfarrábio. Belo Horizonte: Rona, 1997. Coleção Poesia Orbital; O diário da menina Marília. Prêmio Formato de Literatura, categoria infanto-juvenil. Belo Horizonte: Gráfica Formato, 1998.

(Os poemas foram extraídos da coletânea Poemas subterrâneos)

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