Companheiros me escutem
prestem bastante atenção
nessa estória acontecida
lá na minha região
quando se passava um ano
da gloriosa revolução
Ainda tinha validade
o título de eleitor
pois o povo ainda podia
votar para governador
escolher quem bem quisesse
para ser seu defensor
Era uma disputa braba
como não podia deixar de ser
pois só tinha dois partidos
para o povo escolher
de um lado a U.D.N.
do outro lado o P.S.D.
Cá nas Minas Gerais
esse Estado Brasileiro
ao Palácio da Liberdade
um queria chegar primeiro
Roberto Resende pela U.D.N.
pelo P.S.D. Israel Pinheiro
Na cidade de Jordônia
onde esse fato se deu
o prefeito era udeenista
Roberto Resende venceu
mas no resto do Estado
pra Israel Pinheiro ele perdeu
Passados quinze dias
da posse do eleito
o povo de Jordânia
ainda estava insatisfeito
pela sofrida derrota
do candidato do prefeito
No outro lado do mundo
a coisa empretava
dessa vez no Oriente Médio
uma guerra estourava
fato que o prefeito de Jordânia
nem sequer imaginava
No noticiário matinal
da Rádio Guarani
o repórter anunciou
essa manchete aqui:
EXÉRCITO DE ISRAEL FOI PARA JORDÂNIA
PRONTO PRA INVADIR
O prefeito quase desmaia
quando ouviu aquela notícia
chamou o seu secretário
e ordenou com malícia
Avisa pro Delegado
pôr de prontidão a polícia
Mandou a família pra roça
foi pro correio telegrafar
pro deputado majoritário
mandar homens lhe ajudar
pois Dr. Israel Pinheiro
vinha pronto pra brigar
e explicou ao telegrafista
que ouvia tudo a sorrir
Dr. Israel Pinheiro não gostou
de ter perdido a eleição aqui
e agora que tomou posse
mandou o exército invadir
O vigário que estava presente
lhe pôs a par da situação
que se tratava de uma batalha
travada em outra nação
que não tinha cabimento
essa sua preocupação
Olhando pro vigário
disse o prefeito aliviado
Se Dr. Israel viesse mesmo
ele ia voltar desmoralizado
nós arrasava o exército dele
eu , dez jagunços , um cabo
e três soldados .
O ANTICRISTO DE PIRAPORA
Ninguém senão Cristo
Resiste ao sofrimento
Ou sofre calado e perdoa
O responsável pelo tormento
Isso eu falo e provo
Acompanhem meu pensamento
Quando chega a semana santa
Nas Capitais e no Interior
O povo simples encena
Pelas ruas com muito amor
O sacrifício de Jesus Cristo
Filho de Nosso Senhor
De uma dessas encenações
Eu vou falar agora
Sei que faz bastante tempo
E aconteceu em Pirapora
O moço que me contou
Lembra ano, mês, dia e hora
O vigário arranjou os atores
que foram bem preparados
Jesus Cristo, Madalena, Pilatos
Maria, o bom ladrão e os soldados
todos esses personagens
estavam bem caracterizados
Havia movimento nas ruas
e pro povo não atrapalhar
puseram cordão de isolamento
onde o cortejo ia passar
da porta da igreja até o calvário
onde a encenação ia acabar
O soldado que batia em Cristo
era o ator Sebastião
que havia entrado na sacristia
antes do começo da procissão
e tomado mais de litro e meio
do vinho do capelão
Ao invés de representar
ele ia batendo pra valer
e o Cristo reclamava baixo
pro povo não perceber
Bastião pára com isso
pois tá começando a doer
Madalena com uma toalha
Limpou o rosto de jesus
Que reclamou do cansaço
Causado pelo peso da cruz
E pela força das chicotadas
Que estalavam nos ombros nús
Madalena ouviu a queixa
e cochichou com o soldado
O Chico tá pedindo
procê bater maneirado
senão depois da festa
a barra pesa pro seu lado
Na subida do calvário
ouviu-se o grito da multidão
foi um tremendo corre-corre
pra presenciar a confusão
Jesus Cristo largou a cruz
e se atracou com Bastião
Trocaram socos e cabeçadas
como lutadores num tablado
veio a turma do deixa-disso
pôs cada um pro seu lado
Bastião perdeu dois dentes
E Cristo não foi crucificado