POEMAS
Tuti Maioli






foto: Luiz Edmundo Alves


1.
Se alguém perguntar, digam que Ulysses se mandou.
Penélope triturou letras no liquidificador. Outras barcas.
Virou Cinderela. Que moderna. Banhada de gim, girou os salões.
Devaneando. Veludo preto.
Um mistério no decote. E a língua solta.
Os dentes afiados.
Os lábios moulin rouge. Max factor
Daí a porca torceu o rabo.
E alguém enfiou o seu no meio das pernas. À la française.
Nem tcham nem tchum. A pochette
O veneno dolce fatal
Sms trocados
Sapatilhas e esta Isadora Duncan que me tormenta
Num hip hop
Três mil vezes repetiu
Líquida
E este concorde que me voa
Se me Montgomery
Eu te Garbo

2.
Flamenco. Que venham os touros e vacas, que sou El Cordobés.
Arena.
Capa e espada.
E ele te tatua com um imenso Z.
Zorro.
Se move os olhos por trás das máscaras, digo fetiche maldito
E me apaixono pelo bandido do filme.

3.
se pisa ainda que manso
e avança mesmo liso
um provoque à ira dos deuses
clara nas fotos
nuvens em choques
a mim estes terremotos

4.
assim tatame
raps estéreos
em teu kimono

5.
a bali que eu não sei
hibiscos te vi
estes rasos olhos
os ciscos
se você piscar
trituro discos

6.
rímel aos teus olhos
até que paixões
borrem a rima


Tuti Maioli é poeta, jornalista e fotógrafo. Nasceu em Jacarezinho, Paraná, em 1954.
Vive na Suíça e Itália desde 1988. Traduziu Leminski em italiano para a revista
"Mayakovski". Colaborou com textos e poesias nas revistas "Tanto", "Proa da Palavra", "Blocos".Publicou "Tatotau", uma coletânea. Fotos para a home page da Tessitura di
Stabio, firma têxtil suíça.  tutimaioli@freesurf.ch

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