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UM BUSTO POR
VALDIMIR DINIZ

VANDERLEI
ARANHA DE ANDRADE*

Dia 8 de dezembro, 1986, 11 horas
da manhã, chegava ao trabalho.
Como de costume, durante o
almoço conversamos sobre
futebol. Fantástico, novidades
do domingo de folga. Neste dia
realmente algo estava estranho,
alguns companheiros responderam
ao meu bom dia, outros simplesmente
balançaram a cabeça, cabisbaixo
um companheiro mais corajoso
perguntou: "Você soube ?"
Soube de quê ? imaginava ser uma
das gozações sobre o Internacional
de Porto Alegre ou sobre o
governador Brizola. Não era nada
disso. Era uma bomba de gás
paralisante. Logo refeito do choque
desabafei: "Deus é injusto, pôr que
ele e não o ....". Na verdade não queria
blasfemar ou desejar que alguém
morresse. Foi um desabafo normal,
de quem não consegue aceitar tal
notícia. Trabalhei sob forte carga
emocional, tudo parecia incolor:
cor de cinza. Até mesmo os clientes
pareciam tristes, até mesmo aqueles
que não o conheciam, e nem sei se
sequer sabiam da tragédia de
domingo. Começaram as lembranças,
a partir de sua entrada no restaurante
com passos largos, sorriso forte,
seguido de "olá, pessoal", seu
cumprimento tradicional, ou então
"graannde fulano" chamando as
pessoas pelo nome. O uisque Teacher's
sobre a prateleira, o garçom Titico,
hoje maitre do Restaurante 45, que
com sua característica alegria chegava
em sua mesa e dizia: "Valdimir Diniz,
sempre que te atendo fico feliz".
Os seus irmãos que compartilhavam
a mesa. O seu pai no bar. A mesa nº 3,
a preferida, próxima ao abajour.
o deputado José Machado, o dr.
Milton Gontijo e outros. A esposa
esperando bebê. Os parabéns pela
garota então nascida. A promessa de
protestos contra sua "última medida"
de deixar de beber e fumar, brincadeira
do pessoal da casa. Enfim lembranças
ue vinham a todo instante. O Moinho
parou. As casas preferidas pelo grande
amigo entristeceram, ficaram de luto
ou serviram de refúgio para lamentações.
Foi triste mesmo, a falta desse amigo,
boêmio, poeta, jornalista, homem simples
E pai que, fugindo à regra, tinha duas
medidas: tamanho que era documento e
espírito feliz que irradiava ao seu redor.
Gostaria imensamente que amigos e
autoridades de Brasília erguessem um
busto em homenagem a Valdimir Diniz,
para que faça parte da história dessa
cidade. Uma justa homenagem ao jornalista
que criou, participou e acabou trabalhando
em prol da sociedade e acabou deixando
saudade. Saudades tantas que sentimos
ciúmes dos anjos celestiais que agora gozam de sua eterna companhia.


VANDERLEI ARANHA DE ANDRADE
Barman do Restaurante Florentino, de Brasília

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