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          VINÍCIUS DE MORAES

          CINEPOEMA

          O PRETO NO BRANCO
                 Manuel Bandeira

          O preto no banco
          A branca na areia
          O preto no banco
          A branca na areia
          Silêncio na praia
          De Copacabana.

          A branca no branco
          Dos olhos do preto
          O preto no banco
          A branca no preto
          Negror absoluto
          sobre um mar de leite.

          A branca de bruços
          O preto pungente
          O mar em soluços
          A espuma inocente
          Canícula branca
          Pretidão ardente,

          A onda se alteia
          Na verde laguna
          A branca se enfuna
          Se afunda na areia
          O colo é uma duna
          Que o sol incendeia.

          O preto no branco
          Da espuma da onda
          A branca de flanco
          Brancura redonda
          O preto no banco
          A gaivota ronda.

          O negro tomado
          Da linha do asfalto
          O espaço imantado:
          De súbito um salto
          E um grito na praia
          De Copacabana.

          Pantera de fogo
          Pretidão ardente
          Onda que se quebra
          Violentamente
          O sol como um dardo
          Vento de repente.

          E a onda desmaia
          A espuma espadana
          A areia ventada
          De Copacabana
          Claro-escuro rápido
          Sombra fulgurante.

          Luminoso dardo
          O sol rompe a nuvem
          Refluxo tardo
          Restos de amarugem
          Sangue pela praia
          De Copacabana...

           

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